Empresário chinês que comprou franquia do Miss Universo no Brasil é bolsonarista, lê Ayn Rand e ataca órgãos de imprensa


A folha corrida de Winston Ling

Da redação TV em Análise

Reprodução/Facebook


A notícia de que o empresário chinês Winston Ling assumiu a concessão do concurso de Miss Universo no Brasil causa perplexidade dada a sua mobilização para financiar movimentos de extrema direita e passeatas antidemocráticas, com insultos a ministros do Supremo Tribunal Federal. No momento em que o novo coronavírus matou mais de 65 mil pessoas na terra de Martha Rocha, entre elas Aldir Blanc, Daisy Lúcidi, Paulinho Paiakan, um ex-diretor do Fantástico (José Itamar de Freitas) e uma maestrina da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Naomi Munakata), Ling usa do negacionismo mais sórdido para atacar a imprensa profissional que tanto cobriu o concurso em boa parte de seus 65 anos de existência. Desqualifica recomendações do Hospital Israelita Albert Einstein desaconselhando o uso da cloroquina para tratar da doença. Se torna um acinte à liberdade de imprensa e ao exercício do jornalismo profissional.
Dono do Mercado Livre, Winston Ling é natural de Santa Rosa, na fronteira gaúcha com o Uruguai.  Investiu na tolice dos órgãos de imprensa com a assessoria do Grupo Bandeirantes de Comunicação e sua rede aberta de televisão para iniciar uma política de morte ao legado de 38 classificações no Miss Universo. O missólogo Roberto Macedo, tal qual o cantor Lobão, caiu na conversa do chinês, que Evandro Hazzy quer investigar para colocar no ar nos telejornais e programas da Band. O “mago das misses” desconfia.
Leitor de Ayn Rand (1905-1982) e simpatizante do Partido Novo, Winston Ling ataca as práticas do bom jornalismo. Coloca suas máquinas para destruir outdoors escritos “Fora Bolsonaro”, como um que estava em Venâncio Aires. Coloca para correr as torcidas organizadas do Flamengo, do Vasco, do Fluminense, do Botafogo, do Corinthians, do São Paulo, do Palmeiras, do Santos. Chama de idiotas Bianca Rothier, Candice Carvalho, Cecília Malan, Heraldo Pereira, Ilze Scamparini, Maria Beltrão, Mônica Bergamo, Pedro Vedova, Rodrigo Carvalho e Vera Magalhães. E de patifes Flávia Oliveira, Gerson Camarotti, Guga Chacra, Lucas Mendes e Merval Pereira. Para Ling, os jornalistas do Consórcio de Veículos de Imprensa da pandemia são párias comunistas, tanto quanto o governador Eduardo Leite e o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr, ambos do PSDB dos roubos paulistas das obras do Rodoanel e da quadrilha de José Serra.
Da mesma forma, o novo dono do Miss Brasil ataca os promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro que entregaram para a Rede Globo os extratos do Imposto de Renda do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (Republicanos), hoje senador. Considera o repórter Paulo Renato Soares, ex-RBS, lixo humano por fazer o papel de informar a sociedade. Desqualifica Marielle: O Documentário, Marighella, a Academia Brasileira de Cinema, a Academia Brasileira de Letras, o Datafolha, o INPE, o Ibope e a NASA. É da corja que chamou a sueca Greta Thunberg de “pirralha”. Na sua visão estreita de mundo, que nega a realidade dos fatos, ONGs ambientalistas como Greenpeace e WWF são lixo.
Se Winston Ling lesse as aberrações de Abraham Weintraub como ministro da Educação, cairia de boca nas postagens antissemitas e contra chineses. A carta do Miss Universo não permite que gente desse porte assuma coordenações nacionais. No entanto, recomendações dadas desde Donald Trump tem feito potências derrocarem. Tem sido assim com a Suécia. Amanhã poderá ser com o Brasil ou com a Colômbia. Suas mentiras que já derrubaram dois ministros da Saúde chancelaram o passaporte para o enterro da tradição. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) manifestou preocupação com a decisão de Ling privilegiar plataformas digitais em detrimento de redes nacionais abertas. O Miss Brasil veste a camisa do bolsonarismo, resta saber até quando. Nos governos militares pós-golpe de 1964, o concurso foi desprezado, principalmente nos anos em que ocorreu em Brasília (1973 a 1980). O presidente Jair Bolsonaro, que testou positivo para o coronavírus, tem o general assassino Brilhante Ustrra como livro de cabeceira. A adaptação do Miss ao olavismo cobrará seu preço.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Força da Grana, Jóia da coroa, Nossas Venezuelas, Poderes ocultos, Podres poderes, Projetos especiais e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Empresário chinês que comprou franquia do Miss Universo no Brasil é bolsonarista, lê Ayn Rand e ataca órgãos de imprensa

  1. Pingback: A fé cega da coordenação bolsonarista do concurso Miss Brasil em querer vencer o concurso Miss Universo a qualquer preço | TV em Análise Críticas

  2. Pingback: Novo dono do Miss Brasil ajudou a derrubar Mandetta da Saúde | TV em Análise Críticas

  3. Pingback: Nova coordenação do concurso de Miss Brasil levará dois anos para recompor quadro de coordenações de certames estaduais | TV em Análise Críticas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s