Coordenadores estaduais do Miss Brasil estão sem articulação para ficar com a licença do Miss Universo que pertencia à Band


Falta de diálogo agrava ainda mais a viabilização do Miss Brasil 2020

Da redação TV em Análise

Instagram/Marcelo Soes/15.09.2018


A falta de diálogo entre os 25 coordenadores estaduais do Miss Brasil torna ainda mais difícil a realização da 66ª edição, relativa a 2020. O desinteresse e a irresponsabilidade de parcela desses coordenadores terminaram por acumpliciar com a decisão da Rede Bandeirantes de romper o contrato de representação da franquia brasileira do Miss Universo, no dia 10 de março. A Band, no entanto, já tinha decidido encerrar a parceria com a Miss Universe Organization em julho do ano passado, mas a emissora preferiu esperar passar a participação da mineira Júlia Horta, 26, na 68ª edição do concurso de Miss Universo, realizada em Atlanta no dia 8 de dezembro.
Com empresas constituídas para a realização de concursos como a Miguel Braga Produções, BMW Eventos, Meyre Manaus Produções, B&Z Agence, MK Live, dentre outras, o potencial para uma destas ficar com a franquia do Miss Universo reside naquela que tiver maiores condições financeiras – a preço de hoje, a paranaense BMW Eventos. Não é só. A futura coordenação do Miss Brasil terá desafios enormes, como o de acertar um acordo de mídia para a etapa brasileira do Miss Universo. Com a pandemia do novo coronavírus em alta, a coisa beira à inviabilização imediata. Melhor esperar. Mas esperar até quando? A própria MUO também está envolta nessa maré de dúvidas.
O silêncio dos coordenadores estaduais que trabalhavam com o sistema do Miss Brasil/Miss Universo expõe uma ferida que a Polishop causou ao meio missológico brasileiro, difícil de ser curada: a da incompetência administrativa, alinhada com o interesse comercial. O Miss Brasil precisa de patrocinadores para sobreviver e de uma rede de televisão aberta e de um grupo de mídia que o acolha. A sucessão de Júlia é questão de honra, mas a ciência parece jogar contra a indústria dos concursos de beleza.
Por tabela, a guerra de bastidores pelo espólio de misses da Band caminha para ganhar novos capítulos. Capítulos esses ainda mais dramáticos e menos esperançosos. Seja do lado das coordenações locais brasileiras, seja do lado do Miss Universo. A crise da pandemia desvalorizou a franquia brasileira do concurso. A Endeavor, dona do Miss Universo, deve rever o valor a ser cobrado de quem ficar com a concessão do concurso no Brasil. A MUO tenta arrecadar dinheiro de outras formas, colocando a conta nas costas dos fãs de concursos de beleza, em alguns casos. A Band alegava cansaço, mas não é isso: gente do meio miss desconfia que a emissora recusou as exigências relativas à veiculação de eventos preliminares. A Band trabalhava o Miss Brasil desde 2003. Revelou Grazi Massafera, Natália Guimarães, Rayana Carvalho e Rayanne Morais. Tentou canonizar sem sucesso Fabiane Niclotti. Demonizou Nayla Micherif e Boanerges Gaeta Jr.. Transformou o Miss Brasil em puxadinho do PSDB nos governos petistas. Se livrou do concurso para tentar aplacar a imagem de esquerdista, pregada por Olavo de Carvalho, Ernesto Araújo e os filhos de Jair Bolsonaro, que comandam o “gabinete do ódio”. Ódio esse que violenta e mata misses estaduais ou municipais. A Band se acumplicia da misoginia.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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