Dona do Miss Universo deve demitir um terço dos funcionários já temendo pelos impactos da pandemia do novo coronavírus


Endeavor também vai reduzir salários e cortar jornadas de trabalho

Da redação TV em Análise

Valerie Macon/AFP via Getty Images/08.12.2019


A Endeavor, empresa proprietária da Miss Universe Organization, deve demitir um terço de seus 7.500 funcionários, de acordo com a revista Variety. De acordo com a publicação, a Endeavor planeja também redução de carga de trabalho e de salários de parte de seus colaboradores, empregados em 90 escritórios em todo o mundo.
As demissões devem atingir pessoal tanto da agência de modelos IMG e da agência de talentos WME em todos os níveis. Um porta-voz da Endeavor disse à Variety estar “mensurando os impactos da pandemia do novo coronavírus no setor de entretenimento”. A Endeavor tem o controle da MUO, que organiza os concursos de Miss Universo, Miss USA e Miss Teen USA desde 14 de setembro de 2015, quando comprou seus ativos do então pré-candidato à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com documentos da Comissão Federal Eleitoral, Trump assumiu a MUO em outubro de 1996.
A preocupação da Endeavor é que os impactos econômicos da pandemia se agravem a partir do final de maio, ameaçando a realização de eventos como o Miss USA e Miss Teen USA, que correrão o risco de serem adiados para setembro, como o TV em Análise Críticas já antecipou. As 102 candidatas dos dois concursos (51 para o Miss USA e 51 para o Miss Teen USA) prosseguem suas preparações em casa, para evitar aglomerações, atendendo recomendações das autoridades estaduais de saúde e do Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), ligado ao Departamento federal de Saúde.
Os cortes na Endeavor devem atingir em cheio a área de eventos ao vivo, inclusive no departamento de televisão, que é o responsável pela geração de imagens e todo o escopo de engenharia de transmissão e produção. O departamento de talentos de cinema da empresa também deverá sofrer baixas. Alguns empregados já foram colocados em sistema de home office, para obedecer às determinações de isolamento social. Entre eles estão as três misses da MUO, a sul-africana Zozibini Tunzi, Miss Universo 2019, eleita em 8 de dezembro do ano passado, Cheslie Kryst, Miss USA 2019, da Carolina do Norte, eleita em 2 de maio, e Kaliegh Garris, Miss Teen USA 2019, de Connecticut, eleita em 28 de abril.
No vermelho As dívidas da Endeavor chegam a US$ 7,2 bilhões. Na segunda-feira (13), a agência de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota da empresa proprietária da Miss Unioverse Organization de B para CCC+, que representa risco significante de quebra. Desde sua criação, em 1952, o Miss Universo já pertenceu às seguintes empresas: Pacific-Mills, Kayser-Roth, Gulf.Western, Madison Square Garden e Procter & Gamble.
Entre os credores da Endeavor para a família do Miss Universo estão emissoras de televisão, agências de modelos e entidades governamentais e não-governamentais. No Brasil, a Endeavor deve US$ 625 mil ao Grupo Bandeirantes de Comunicação. Por sua vez, a Band informou através de sua assessoria jurídica que vai cobrar na Justiça americana US$ 3 milhões da Endeavor por obrigações não pagas relativas ao Miss Brasil e a concursos estaduais e municipais que a emissora organizou de 2004 a 2019. No dia 10 de março, a emissora rompeu uma parceria com o Miss Universo que vinha desde 2003. Um dos motivos alegados é o calote que a Endeavor teria dado a empresas patrocinadoras do Miss Brasil, entre elas a Polishop, que também aparece como credora da MUO.
Coordenações estaduais do Miss Brasil que trabalharam com a Band informaram ao Críticas que estudam fazer ação coletiva contra a Endeavor exigindo ressarcimento relativo a despesas de envio de candidatas de seus Estados ao Miss Universo. Assim como a emissora paulista, os coordenadores alegam prejuízos com campanhas de lobby para candidatas a Miss Brasil e Miss Universo que não prosperaram em termos de apelo e convencimento de jurados nas fases finais do concurso internacional. Os coordenadores estaduais do Miss Brasil querem US$ 16 milhões em indenizações da Endeavor.
Em setembro do ano passado, a Endeavor fez uma oferta pública inicial de ações na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), que não deu certo. À época, a dívida da empresa dona do Miss Universo estava estimada em US$ 4,6 bilhões a longo prazo.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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