Há um mês, o Brasil está sem a coordenação do Miss Universo


Indefinição aumenta drama sobre a sucessão de Júlia Horta como Miss Brasil

Da redação TV em Análise

Paras Griffin/Getty Images/08.12.2019


Há exatamente um mês, o Grupo Bandeirantes de Comunicação encerrava sua parceria com a Miss Universe Organization, deixando vaga a franquia do concurso de Miss Universo no Brasil. Era a primeira vez que isso ocorria desde que o país começou a participar do concurso, em 1954. A decisão abriu portas para que outros grupos de comunicação começassem a manifestar interesse em assumir a concessão do certame. Empresas promotoras de eventos também estão sendo procuradas pela MUO, inclusive aquelas que promovem concursos estaduais.
A MUO exige das empresas interessadas em assumir a concessão do Miss Universo no Brasil experiência na promoção de concursos de beleza. Esse requisito tira de cara empresas como a Time4Fun e a Artplan, especializadas em festivais de música. Ambas são parceiras da Rede Globo de Televisão e da Globosat nesse tipo de evento.
De acordo com a MUO, atendem aos requisitos para promover o Miss Brasil 2020 as seguintes empresas: B&Z Agence, BMW Eventos, CNB (Concurso Nacional de Beleza), Gaeta Promoções e Eventos, Hazzy Eventos, Meyre Manaus Produções, Miguel Braga Produções, Studio Márcio Prado, Tráfego Models e Zana Produções Misses. Entre as redes de televisão aberta, a MUO procurou além da Globo, o SBT e a Record, que não manifestaram interesse. As negociações da MUO com a Globo são mais intensas, pois além da rede aberta, envolvem a Globosat e plataformas OTT (over-the-top) do grupo (G1, Globoplay). No país, a MUO já tem um acordo regional com a Turner, dona da TNT, para a exibição do Miss Universo em TV por assinatura, vigente desde 2005. Há a possibilidade da expansão desse acordo para a exibição do Miss Brasil.
A decisão da Band, na prática, já estava tomada desde julho do ano passado, mas não tinha sido consumada na integra para não afetar a participação da mineira Júlia Horta, 26, na 68ª edição do Miss Universo, cujos direitos já estavam pagos à Endeavor. A emissora demitiu ou remanejou profissionais que cuidavam da produção do Miss Brasil e de concursos estaduais. É o caso do gaúcho Evandro Hazzy, que foi dissuadido de tocar um projeto de revitalização do Miss Brasil e dos concursos estaduais, cujos custos eram considerados altos para o padrão orçamentário da Band, que está com dívidas.
Antes otimistas, os coordenadores estaduais agora expressam perplexidade com a falta de definição de uma nova emissora e grupo que ficarão responsáveis pela promoção do Miss Brasil e pela fiscalização dos concursos estaduais. A IMG Models informou ao TV em Análise Críticas que está trabalhando para agilizar as negociações com grupos de mídia. A Rede Globo chegou a ser procurada pela IMG para acertar um acordo de emergência para viabilizar o resto dos concursos estaduais do Miss Brasil 2020. A Endeavor admitiu a existência de dificuldades “graves” para tocar a transferência da franquia do Miss Universo após a ruptura contratual feita pela Band, parceira havia 17 anos.
Reunidos em grupo de WhatsApp, os coordenadores diminuíram os contatos depois que Hazzy foi remanejado pela Band do entretenimento para o jornalismo da filial de Porto Alegre. Ele era peça-chave no processo de estruturação da pessoa jurídica do Miss Brasil, que não foi adiante. Se for adiante, terá de ser com o grupo que assumir a concessão do Miss Universo no Brasil a partir de agora. A Globo pediu cautela nas negociações por parte da Miss Universe Organization. Fatores financeiros podem estar pesando contra.
A própria MUO adotou uma postura de cautela nas negociações de novas franquias nacionais, inclusive a do Brasil. No caso brasileiro, a IMG enxerga o país de Martha Rocha como um mercado importante não apenas para modelos, mas também para misses. Dona do Miss Universo desde 2015, a IMG já trocou coordenações nas Filipinas e Porto Rico. Acrescentou ao portfólio Camboja, Laos, Nepal e Uganda. Fez a classificação de semifinalistas do Miss Universo ser fatiada por grupos continentais, para denotar diversidade. E a propósito, abriu as portas do Miss Universo para transgêneros.
Além de modelos, no Brasil a IMG também atua no ramo esportivo. Gerencia direitos de transmissão de campeonatos e ligas. Tem desde 2016 o controle do UFC, principal liga de artes marciais mistas do mundo. Vendeu à Band os direitos de exibição da PBR, liga profissional de rodeios que a dona do Miss Universo controla. Até então, a IMG só era conhecida por gerenciar as carreiras de Gisele Bündchen, Alessandra Ambrosio e outras.
O que o Brasil não merece é ficar fora do Miss Universo por mais um ato de incompetência e acomodação. Mesmo com a pandemia do novo coronavírus, a responsabilidade de fazer as cinco misses estaduais já eleitas tocarem suas preparações continua. As coordenações estaduais não podem ficar em ponto morto, como ocorreu em 1990. O SBT fez todas as chicanas para despistar a Miss Universe Inc., inclusive políticas. Sem Band, nem Globo, Record ou SBT, o Miss Brasil 2020 ainda é uma ideia vaga. A preocupação com a presença brasileira no Miss Universo 2020 só vai aumentar após a decisão da MUO de instruir as coordenações nacionais a colocarem as segundas colocadas nos concursos nacionais do ano passado (no nosso caso, a cearense Luana Lobo) para representarem países que ainda não marcaram datas de certames. O tempo corre contra.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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