O sistema de classificação das semifinalistas do Miss Universo teve de se adequar ao crescimento e às variações continentais


Criação do sistema continental em 2017 corrigiu disparidades feitas de 1984 a 2002

Da redação TV em Análise

Frazer Harrison/Getty Images/26.11.2017


Em sua primeira edição, realizada em 28 de julho de 1952, em Long Beach, o concurso de Miss Universo tinha 30 candidatas e apenas 10 semifinalistas classificadas. Esse foi o erro que a Miss Universe Organization de Donald Trump herdou da antiga Miss Universe Inc., após assumir seus ativos em outubro de 1996. Paulatinamente, Trump foi corrigindo distorções de gestões anteriores, eliminando a chatice das daminhas de honra das semifinalistas em traje de gala e introduzindo o desfile de biquíni no segmento de trajes de banho a partir de 1998. Mudança maior viria a partir de 2003, quando o quadro de semifinalistas foi ampliado para 15 (inicialmente em trajes de gala e desde 2006 em trajes de banho), com sistemas de corte expandidos para 10 (em trajes de banho até 2005 e gala após 2006) e cinco finalistas.
De cara, Trump olhou para os anos iniciais do Miss Universo e percebeu que não dava mais para ter um concurso só com 10 semifinalistas. Na sua percepção, a Paramount cometeu uma grande burrada ao reduzir esse quadro a 10 na 33ª edição. Foi uma irresponsabilidade que durou 18 anos. Na troca de emissora oficial (da CBS para a NBC), Trump quis essa mudança. 10 semifinalistas era coisa para agradar os executivos da CBS. Trump não estava satisfeito com essa quântica. O Miss Universo tinha de mudar. Se o Miss USA já usara 12 semifinalistas em algumas edições na década de 1990, por quê o Miss Universo insistia nessa balela, que Trump teve de carregar com a CBS?
O fator televisão passou a pesar muito para que o Miss Universo tivesse seu quadro de semifinalistas ampliado e aperfeiçoado a partir de 2003. A exceção foi em 2016, nas Filipinas, quando os organizadores locais fizeram uma mescla dos sistemas adotados em 1974 (12-5) e 1994 (10-6-3). Chegou-se a um meio-termo: 13 semifinalistas para traje de banho, nove para traje de gala, seis finalistas para as perguntas temáticas e três para a pergunta final e a apresentação final, que decidiria o título. Em 2002, o Miss Universo era visto em mais de 70 países e isso Trump levou em conta na hora de mudar a geradora. Fez um grande acordo de distribuição que expandiu essa base para 120 países. Hoje, o Miss Universo chega a 213 países e territórios, com distribuição para 190 deles.

A VARIAÇÃO DO QUADRO DE SEMIFINALISTAS DO MISS UNIVERSO DE 1952 A 2019
Sistema de classificação continental só foi instituído a partir de 2017. Até então, as classificações das semifinalistas ocorriam de forma aleatória
Ano Edição Cidade Candidatas Semifinalistas
1952 Long Beach (USA) 30 10
1953 Long Beach (USA) 26 16
1954 Long Beach (USA) 33 16
1955 Long Beach (USA) 33 15
1956 Long Beach (USA) 30 15
1957 Long Beach (USA) 32 15
1958 Long Beach (USA) 36 15
1959 Long Beach (USA) 34 15
1960 Miami Beach (USA) 43 15
1961 10ª Miami Beach (USA) 48 15
1962 11ª Miami Beach (USA) 52 15
1963 12ª Miami Beach (USA) 50 15
1964 13ª Miami Beach (USA) 60 15
1965 14ª Miami Beach (USA) 57 15
1966 15ª Miami Beach (USA) 58 15
1967 16ª Miami Beach (USA) 56 15
1968 17ª Miami Beach (USA) 65 15
1969 18ª Miami Beach (USA) 61 15
1970 19ª Miami Beach (USA) 64 15
1971 20ª Miami Beach (USA) 60 12
1972 21ª Dorado (PUR) 61 12
1973 22ª Atenas (GRE) 61 12
1974 23ª Manila (PHI) 65 12
1975 24ª San Salvador (ESA) 71 12
1976 25ª Hong Kong (HKG) 72 12
1977 26ª Santo Domingo (DOM) 80 12
1978 27ª Acapulco (MEX) 75 12
1979 28ª Perth (AUS) 75 12
1980 29ª Seul (KOR) 69 12
1981 30ª Nova York (USA) 75 12
1982 31ª Lima (PER) 77 12
1983 32ª Saint Louis (USA) 80 12
1984 33ª Miami (USA) 81 10
1985 34ª Miami (USA) 79 10
1986 35ª Cid. do Panamá (PAN) 77 10
1987 36ª Cingapura (SIN) 68 10
1988 37ª Taipé (TPE) 66 10
1989 38ª Cancún (MEX) 76 10
1990 39ª Los Angeles (USA) 71 10
1991 40ª Las Vegas (USA) 73 10
1992 41ª Bangcoc (THA) 78 10
1993 42ª Cidade do México (MEX) 79 10
1994 43ª Manila (PHI) 77 10
1995 44ª Windhoek (NAM) 82 10
1996 45ª Las Vegas (USA) 79 10
1997 46ª Miami Beach (USA) 74 10
1998 47ª Honolulu (USA) 81 10
1999 48ª Chaguaramas (TRI) 84 10
2000 49ª Nicósia (CYP) 79 10
2001 50ª Bayamón (PUR) 77 10
2002 51ª San Juan (PUR) 75 10
2003 52ª Cid. do Panamá (PAN) 71 15
2004 53ª Quito (ECU) 80 15
2005 54ª Bangcoc (THA) 81 15
2006 55ª Los Angeles (USA) 86 20
2007 56ª Cid. do México (MEX) 77 15
2008 57ª Nha Trang (VIE) 80 15
2009 58ª Nassau (BAH) 83 15
2010 59ª Las Vegas (USA) 83 15
2011 60ª São Paulo (BRA) 89 16
2012 61ª Las Vegas (USA) 89 16
2013 62ª Moscou (RUS) 86 16
2014 63ª Miami (USA) 88 15
2015 64ª Las Vegas (USA) 80 15
2016 65ª Manila (PHI) 86 13
2017 66ª Las Vegas (USA) 92 16
2018 67ª Bangcoc (THA) 94 20
2019 68ª Atlanta (USA) 90 20

Após 2017, o Miss Universo passou a contar com três grupos continentais de classificação – África e Ásia-Pacífico, Américas e Europa. Um quarto grupo de classificadas vem de uma repescagem continental. Em 2017, eram quatro classificadas por cada grupo. Em 2018 e 2019, o número de classificadas por região foi expandido para cinco, possibilitando surpresas como a do Sri Lanka, em 2017, e do Nepal, em 2018.
A decisão da IMG de fazer as classificações continentais no Miss Universo freou uma vontade de Donald Trump de empanturrar os quadros de semifinalistas de europeias em algumas edições nos anos 2000, após a ampliação do quadro para 15 em 2003. A atual controladora da Miss Universe Organization tem sido discreta, mas sua presidenta, Paula Shugart, tem sido decisiva na divisão regional das semifinalistas do Miss Universo. O papel de Paula, executiva contratada por Trump, tem sido crucial para essas mudanças.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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