Dona dos direitos, Band tem até abril para definir empresa que vai gerir o concurso de Miss Brasil, que leva ao Miss Universo


Exigência é da Endeavor, que já tomou conhecimento do caso da Polishop

Da redação TV em Análise

Rodrigo Trevisan/Band/MissBrasil/Divulgação/09.03.2019
A mineira Júlia Horta recebe o título de Miss Brasil da amazonense Mayra Dias


A novela da realização da 66ª edição do concurso de Miss Brasil ganhou um novo contorno, depois que a Endeavor tomou conhecimento de denúncias de má gestão feitas contra a Polishop, que patrocinou a etapa brasileira do Miss Universo de 2016 a 2019. De acordo com denúncias de ex-franqueados, a empresa de João Appolinário teria se apropriado de taxas de franquias para enriquecer pessoalmente e prejudicar as candidatas dos concursos estaduais após suas participações no Miss Brasil. Há relatos de que a Miss Brasil 2019, Júlia Horta, 25, teria tido falta de apoio na sua participação na 68ª edição do Miss Universo, realizada em 8 de dezembro do ano passado, em Atlanta. A mineira ficou entre as 20 semifinalistas.
Após o Miss Universo, a Endeavor chamou diretores da Band para uma conversa relativa à permanência dos direitos de representação e transmissão em TV aberta do Miss Universo para o Brasil, que vigoram até 2022. Uma ala da emissora defende a ruptura do contrato, alegando razões ideológicas de extrema direita, guiadas pelo astrólogo Olavo de Carvalho, 72, guru da turma do presidente Jair Bolsonaro, 64. No entanto, outro grupo de diretores, mais ligado à área comercial da emissora e isenta de orientação partidária, prefere que o Miss Brasil, o Miss Universo e os concursos estaduais permaneçam com a emissora. A preocupação em perder esses direitos para a Rede Globo é grande.
Para tentar agradar à Miss Universe Organization, a Band fez uma série de concessões para que o Miss Universo, o Miss Brasil e os estaduais permaneçam na sua grade de programação. A emissora tem em mãos o projeto apresentado pelo missólogo gaúcho Evandro Hazzy em outubro do ano passado, que dá ao Miss Brasil ares de empresa, nos mesmos moldes da MUO, criada em 1952 e que passou por nove administrações. A ala olavista da emissora tenta a todo custo barrar a apresentação desse projeto à presidenta da MUo, Paula Shugart. O que também pesa para o Miss Brasil ficar na Band é a pressão de anunciantes ligados à Associação Brasileira de Anunciantes (ABA). Eles não querem um novo episódio como o que custou à organização do Miss Brasil 1990, pelo SBT.
A Band tem até o dia 30 de abril para definir à Miss Universe Organization o nome da empresa que vai gerir o Miss Brasil no lugar da Polishop. Além da “Equipe Águia” de Hazzy, com seis misses, há também a proposta da Band passar a gerência do Miss Brasil válido pelo Miss Universo para o CNB (Concurso Nacional de Beleza), que já detém a concessão do Miss Mundo no país desde 2006. Os termos da parceria que pode estar sendo costurada são sigilosos. Em outra frente, a IMG Models já sinalizou forte interesse de assumir a promoção do Miss Brasil, tendo o apoio das emissoras regionais da Band e de franqueados nos Estados onde nem a Band possua emissora ou a IMG possua escritório de agenciamento de modelos. A parceria com  agências regionais deve pesar bastante.
A Band detém os direitos de transmissão do Miss Brasil e do Miss Universo desde 2003. A partir de 2004, começou a transmitir concursos estaduais. Em dezembro de 2010, formou uma empresa de eventos., a Enter, para promover o Miss Brasil e concursos estaduais. Em 25 de setembro de 2011, a Enter tomou da Gaeta a representação do Miss Universo no país. Mesmo com a extinção da Enter, em janeiro de 2016, a Band manteve esses direitos. A terceirização do Miss Brasil à Polishop deu prejuízo de R$ 20 milhões à emissora. Agora, após a aventura desastrosa da “turma do João”, a Band tenta vender o Miss Brasil de volta aos anunciantes. Chamou a executiva Patrícia Régia para fazer essa tarefa.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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