O ‘terrorismo’ para a Band continuar com concursos de misses


Anunciantes se somam a coordenações estaduais do Miss Brasil para pressionar

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotos Case Assessoria, Getty Images e Band/Dibulgação


A Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) expressou sua preocupação com a ameaça da Rede Bandeirantes não realizar a 66ª edição do concurso de Miss Brasil. A entidade que representa os maiores anunciantes do país informou ao TV em Análise Críticas que a Band está sendo “irresponsável” ao negar seguimento ao projeto de transmissão do concurso de Miss Brasil válido pelo Miss Universo, do concurso internacional e dos concursos estaduais.
Um grupo de coordenadores estaduais já manifestou a intenção de procurar a Band logo após o Carnaval para expressar sua preocupação com a ameaça da rede paulista de parar a exibição do Miss Brasil depois de 17 anos. A Band tem os direitos do concurso de beleza desde 2003, bem como os do Miss Universo, estes relativos à exibição em TV aberta.
A assessoria da Band foi procurada pela reportagem do Críticas e informou que não vai se manifestar sobre as preocupações da ABA e das coordenações estaduais do Miss Brasil. A Band tem contrato de representação do Miss Universo no Brasil vigente até 2022, assim como os direitos de transmissão do concurso internacional de beleza.
Outra entidade do setor publicitário, a ABAP (Associação Brasileira das Agências de Publicidade) diz estar monitorando a situação da realização ou não do Miss Brasil 2020 e de seus principais concursos estaduais – São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A ABAP tem prestado apoio às agências na hora de assinar os contratos de patrocínio do Miss Brasil desde 2005, quando a Band assumiu parte de sua comercialização junto com a Gaeta Promoções e Eventos. Em 2012, a emissora assumiu essa tarefa por completo até que em 2015 vendeu a gestão à Polishop. A saída dessa empresa da administração do Miss Brasil gerou um ar de incerteza gravíssima para a sucessão da mineira Júlia Horta, 25, semifinalista no Miss Universo 2019.
ABA e ABAP estimam em R$ 36 milhões os prejuízos para a cadeia econômica com um eventual cancelamento do Miss Brasil 2020, por imposição de sua emissora. Em 1990, fatores políticos (a candidatura fracassada de Sílvio Santos à Presidência da República), econômicos (Plano Collor) e administrativos (decisões equivocadas do SBT, que detinha a concessão) fizeram o país ficar fora do Miss Universo pela primeira e única vez. Essa conjunção de incompetência e desorganização levou ao cancelamento do Miss Brasil.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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