Assunto da semana: Dois anos para tentar reparar um estrago


Por que antecipação do Oscar foi maléfica ao telespectador

Kevin Winter/Getty Images/09.02.2020
Os coreanos do filme Parasita e os parasitas da ABC


Há um ano atrás, pensávamos que deveríamos estar falando da 92ª edição do Oscar só na próxima semana. Pensávamos. Fatores extracampo nos afastaram da atenção que a festa máxima do cinema já deveria estar recebendo. Sindicatos pegos de surpresa. Calendário de premiações reorganizado às pressas, sem contar o Grammy. Se a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood se mancasse de que televisão é hábito, o Oscar não estaria perdendo tantos telespectadores nos Estados Unidos em relação ao ano passado. Isso preocupa.
Depois de meses envolvido a fio com a cobertura do Miss Universo, a constatação é de que se criou uma fenda informativa de duas semanas. Não posso mais saber sobre os filmes indicados porque a premiação já passou. Fizeram uma burrada sem tamanho, para tentar acomodar necessidades industriais de sua geradora, a ABC. Produziu-se uma besteira sem tamanho de embaralhar planejamento, confundir as pessoas, desorientar o público. Achávamos que no domingo de Carnaval, a Globo sacrificaria o Oscar em nome das escolas de samba cariocas. Mudou o tom.
Televisão é hábito e isso se preconiza em relação à data do Oscar desde 2000, quando a premiação foi antecipada da última segunda-feira de março para o último domingo de fevereiro. Por piores que sejam os filmes, salvo honrosas exceções, a cerimônia do Oscar tem se pautado por transmissões longas, que chegavam a ter mais de quatro horas. Nos dois últimos anos, a chatice tem sido eliminada. A preocupação com as verborragias eliminou a figura do mestre de cerimônia. Para 23 de fevereiro de 2020, o que fica é um buraco de informação. Não é bom para o telespectador.
Com as duas próximas edições do Oscar aparentemente marcadas para os dias 28 e 27 de fevereiro de 2021 e 2022, respectivamente, espera-se que a premiação de maior peso na televisão americana em termos de telespectadores resgate o seu público, mantenha a sua fidedignidade. Nas datas certas, não por causa de Olimpíada de Inverno, espera-se que a ABC e a Academia não recorram a novas besteiras de marcação de data para dar cola ao Super Bowl. Isso não colou em 2020. Beirou à irresponsabilidade de quem planejou a programação. Boa quarta-feira a todos.


Publicação simultânea com o Arte & Fest do Jornal Meio Norte desta quarta-feira (19/2)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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