África do Sul também enfrentou problemas de patrocinador da etapa local do Miss Universo e deu a volta por cima, com título


Crise do Miss África do Sul deve servir de exemplo para as ‘águias’ do Miss Brasil

Da redação TV em Análise

Phill Magakoe/AFP via Getty Images/13.02.2020


Em março do ano passado, o concurso de Miss África do Sul sofreu um duro revés ao perder o patrocínio da empresa de telefonia móvel Cell C. Isso deu início a uma novela que arrastou a sucessão de Tamaryn Green de maio para agosto. As preparações para a seleção das candidatas sofreram atraso. Ainda assim, a coordenação do concurso tocou todo o processo, retomado em maio.
O atraso fez com que as 16 finalistas fossem anunciadas no dia 11 de julho, menos de um mês para a final, realizada no Sun Arena at Time Square, em Pretória, no dia 9 de agosto. Muito se criticou do fogo cenográfico nos desfiles de trajes de banho. A produção do concurso realizou uma baboseira não a ponto de impedir que Zozibini Tunzi, vencedora daquela noite, se destacasse entre as favoritas de missólogos para o Miss Universo. O prólogo de sua vitória em Atlanta apenas começava a ser escrito.
À diferença do Miss África do Sul, o Miss Brasil passa desde julho por um doloroso processo de transição. A saída da Polishop foi o pontapé inicial para que a Band começasse a acolher ideias para a viabilização do concurso de 2020 em diante. A entrada de ex-misses no comando do concurso brasileiro deve dar ares de venezuelização de uma fórmula iniciada com as duas polegadas excedentes de Martha Rocha, em 1954. Até o final de abril, nove dos 27 concursos estaduais já terão sido realizados. O caminho para a sucessão de Júlia Horta, em setembro, está aberto.

Oupa Bopape/Gallo Images via Getty Images/09.08.2019

Mantido pela Sun International, o Miss África do Sul começou a enviar candidatas para concursos internacionais em 1956. Se filiou ao Miss Universo em 1998. Desde então, foram 14 classificações em 22 participações, que equivalem a um aproveitamento de 63,63%. A conta inclui os títulos de Zozibini e de Demi-Leigh Nel-Peters, em 2017. Na franquia anterior, o Miss República da África do Sul, foram 10 classificações em 23 participações, que equivaleram a um aproveitamento medíocre de 43,47%, agravado pelas suspensões tomadas no período do apartheid. A imagem internacional da África do Sul já estava manchada em 1985, quando o país foi banido do Miss Universo devido ao regime segregacionista. Os expedientes dos bantustões não funcionaram.
No Brasil, a concessão do Miss Universo passou pelas mãos dos grupos Folha, Associados, Sílvio Santos, Most of the Brazilian Beauty (Marlene Brito), Pauilo Max e filhos, Gaeta e Bandeirantes. O fato de a Polishop ter gerido o Miss Brasil de 2015 a 2019 não lhe deu o direito de arcar com as despesas de envio das candidatas brasileiras ao Miss Universo. A Polishop pagou à Band para que cumprisse suas obrigações com a Miss Universe Organization e ponto. A Polishop nunca foi franqueada do Miss Universo no Brasil. Apenas patrocinou e produziu o Miss Brasil e os concursos estaduais. Tarefa essa que terá de ser feita por outra empresa a serviço da Band. As águias estão de olho.
O episódio que atrasou o Miss África do Sul 2019 deve servir de exemplo importante para a nova turma que assumir o Miss Brasil para a Band. O arranjo de patrocinadores é a primeira tarefa que começa a ser cumprida a partir das coordenações estaduais. Empresas como as lojas Riachuelo e a calçadista Vizzano começaram a perceber esse novo terreno, atrativo para que a Band possa tocar os principais concursos estaduais do Miss Brasil 2020 – Amazonas, Ceará, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Destes, cinco venceram o concurso nacional desde 2014, de forma não consecutiva. Juntas, essas coordenações tem 45 títulos de Miss Brasil. Terreno esse que também deverá ser fértil para a viabilização da etapa nacional do Miss Universo.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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