Coordenações do Miss Brasil devem começar a cobrar a Band pela realização do concurso de 2020, logo depois do Carnaval


A sucessão de Júlia Horta segue em risco

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Instagram/Júlia Horta


A tropa de choque das coordenações estaduais do Miss Brasil filiado ao Miss Universo deve começar a pressionar a alta cúpula da Rede Bandeirantes logo após os festejos de Carnaval. Um grupo de coordenadores mais ligados ao ex-diretor de produção da Equipe Águia, Evandro Hazzy, prometeu procurar o presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação, Johnny Saad, 67, para pressionar a Band a fazer a organização e transmissão da 66ª edição do concurso de Miss Brasil.
Na manga, os coordenadores tem uma série de argumentos entre eles, de que seus concursos são rentáveis e atraem anunciantes. O problema mais grave está na cabeça de rede. Na sede de São Paulo, falar do Miss Brasil 2020 virou assunto proibido. O oposto do que se verificava no ano passado, quando o concurso nacional estava perto de ser realizado. As turbinas dos estaduais estavam a todo vapor.
Para desespero dos coordenadores, a estrutura da nova organização do primeiro Miss Brasil pós-Polishop sequer começou a ser montada. As misses da Águia ainda estão negociando que postos irão ocupar. Trava-se uma verdadeira guerra de bastidores. A parada para o Carnaval deve ser benéfica para algumas de suas integrantes. Dirigir o Miss Brasil? Para a cabeça de parte das “águias”, não é coisa que esteja em cogitação.
O olavismo de alguns diretores da Band é que emperra a viabilização do MIss Brasil 2020. Contaminados de argumentos falaciosos e fanáticos neopentecostais, os integrantes do noviciado da cúpula da emissora se prendem a ler as estigmatas do filósofo-mor da República, baseado no Estado americano da Virgínia. Olavo de Carvalho chamou uma repórter da revista The Atlantic de “prostituta'”. Esse é o tom da ala. Tem Júlia Horta e os concursos de Miss Brasil e Miss Universo no índex de assuntos proibidos.
O que a parte paulista da Band adota, o mesmo não se aplica nas filiais de alguns Estados. Bahia e Paraná vão transmitir seus certames. Entre as afiliadas, apenas a de Pernambuco fará transmissão de seu certame. Isso entre os concursos com datas marcadas. No resto do país, há quem diga que a movimentação só vá tomar forma a partir de abril, com a abertura de inscrições da maioria dos concursos estaduais. A área comercial da Band prefere trabalhar o tema Miss Brasil 2020 com bastante cautela. Admite que terá os anunciantes para a sua transmissão, mas padece na novela da falta de coordenação.
Para Evandro Hazzy e as misses da Águia, o Carnaval está aí. Para o grosso da diretoria da Band, o Carnaval será um momento de acertar os ponteiros para decidir o que fazer com o legado de 17 anos de transmissões de Miss Brasil e Miss Universo. Dele, a turma olavista quer distância. Tenta usar uma pauta de costumes ainda não votada no Congresso para fazer valer o fundamentalismo de R.R. Soares. Só que o missionário nunca fez mal algum aos concursos de beleza. No dia do Miss Universo 2011, concordou em ceder seu Show da Fé para que o CQC antecedesse a transmissão ao vivo do certame. Nos domingos sem o missionário, a Band tem tido obstáculos como Pânico, NBA e MasterChef, que forçaram exibições gravadas depois das 23h30. Essas são as pedras de gelo baiano da coisa. Nos anos da Band, o Brasil jamais venceu um título de Miss Universo pela incompetência de seus coordenadores, pelo analfabetismo funcional de nossas candidatas, pelo rasga-seda de meia dúzia de egocêntricos, energúmenos e imbecis, pela falta de pontos capazes de dar popularidade televisiva a nosso principal concurso de beleza.
De acordo com a ala mais otimista da Band, o Miss Brasil 2020 acontece em setembro, se nenhum empecilho ideológico atrapalhar. A turma de Hazzy faz o que pode para enfrentar o fisiologismo de uma minoria de superiores, que tenta sepultar na marra o que a Band conquistou a duras penas. Esses ingratos deveriam agradecer à Gaeta por ter tirado o Miss Brasil dos escombros e o Miss Universo das sombras da Rede Globo. O preço de 13 anos de obscurantismo dos concursos de beleza a Band ainda está pagando. Primeiro, com Donald Trump e desde 2015, tem a casa que revelou nossas supermodelos, a IMG/Endeavor, como avalista de um esgarçamento que se arrasta desde 1968.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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