Questões financeiras devem inviabilizar a candidatura da África do Sul para sediar a 69ª edição do concurso de MIss Universo


De nada adiantam boas intenções de Zozibini Tunzi, que deve fazer sucessora no Panamá

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Itumeleng English African News Agency (IANA)/Independent Online


A visita da Miss Universo 2019, Zozibini Tunzi, 26, à seu país natal, a África do Sul, que termina neste sábado (15), pouco produziu de resultados concretos para uma eventual candidatura do país para a 69ª edição do concurso de Miss Universo. Na verdade, não produziu nenhum. A exemplo da antecessora, Iris Mittenaere, a falta de articulação da Miss Universo de 2017, Demi-Leigh Nel-Peters, fez com que a sede do concurso fosse para Bangcoc e não para Joanesburgo. Demi tinha estado na capital tailandesa como turista, sete meses antes da conformação desta como sede da 67ª edição, realizada na manhã de 17 de dezembro de 2018, na IMPACT Arena. Falta de articulação também foi problema para sua sucessora, Catriona Gray, que teve desde o início que saber que não faria sua sucessora em Manila.
Nada contra a boa vontade da África do Sul em sediar o Miss Universo (informação original do sítio de celebridades Zalebs), mas uma olhada na história denota bem a falta de potencial financeiro do país em receber esse concurso. De 1992 a 1995, Sun City sediara o Miss Mundo e estava tudo acertado para receber a 45ª edição do Miss Universo, em maio de 1996. A fonte secou para ambos os lados, da Miss Universe Inc. de então e para a comissão organizadora sul-africana, que teve de ser desmontada. A vitória de Demi-Leigh, após 39 anos de hiato, reacendeu o interesse dos sul-africanos pelo concurso de Miss Universo. Fábrica de supermodelos como Charlize Theron, Candice Boucher e Candice Swanepoel, a África do Sul sediara o Miss Mundo em 2001 (Sun City), 2008 e 2009 (Joanesburgo). As duas últimas vezes foram na esteira da organização da Copa do Mundo da FIFA, cuja escolha de sede foi alvo de denúncias de corrupção, que levaram à queda do então presidente da entidade, Joseph Blatter, e à prisão de dirigentes de confederações antes da assembleia geral de 2015, em Zurique.
Tunzi está em início de reinado e é prematuro ela avaliar se seu país será ou não sede do Miss Universo 2020. De momento, a tendência aponta para a sua realização na Cidade do Panamá. Por lá, a candidatura está bem mais adiantada em termos financeiros, coisa que a África do Sul não tem. O agravante é o fuso horário, que forçaria uma transmissão ao vivo para emissoras pagas ao redor do mundo, prejudicando a exibição ao vivo para os Estados Unidos. Esse tipo de coisa ocorreu em 1973, 2000 e 2013, quando o concurso teve como sedes Atenas, Nicósia e Moscou. Atualmente os direitos do Miss Universo nos Estados Unidos são da FOX. A Endeavor os redistribui para 190 países e territórios.
Se levado a cabo esse absurdo, o Miss Universo 2020 teria de começar às 20h locais de um determinado domingo de dezembro, o que equivaleria a 15h, pelo horário de Brasília e 13h, pelo horário da costa leste americana. Para a FOX, seria um suicídio mostrar o Miss Universo gravado, como a CBS e a NBC fizeram, Seria incorrer em outra idiotice. O concurso ocorreria com o andamento da temporada regular da NFL, principal liga de futebol americano profissional dos Estados Unidos. A FOX tem a preferência para mostrar ao vivo jogos diurnos regionais da Conferência Nacional (NFC). É aí que mora o problema. Prato cheio para a 69ª edição do Miss Universo ocorrer no Panamá, ao vivo e em horário nobre para as audiências americanas verem. Quanto à de outros países, fica a critério.
Desde a queda do presidente Jacob Zuma, em fevereiro de 2018, a África do Sul de Zozibini paga a conta dos esquemas de corrupção da Copa de 2010. Conta essa que se traduziu em algum legado social, mas que para o Miss Universo vai demorar e muito a ser recompensada. As coroações em dois dos últimos três anos atestam esse ambiente. No de Demi-Leigh, a África do Sul vivia mergulhada em uma convulsão social. Na de Zozibini, a presidência de Cyril Ramaphosa, 67, tenta reparar parte desses estragos.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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