Mudança draconiana de visual que deu a Zozibini Tunzi o título de Miss Universo 2019 vem da cantora jamaicana Grace Jones


Visual já era moda na década de 1980, quando o Miss Universo enfrentava uma crise de identidade

Da redação TV em Análise

Fotos Miss Universe Organization/Divulgação/08.12.2019 e Angelo Deligio/Mondadori via Getty Images


Os cabelos curtos da então candidata sul-africana ao título de Miss Universo 2019, Zozibini Tunzi, 26, já chamavam a atenção durante sua participação no Miss África do Sul 2019, em agosto, onde acabaria eleita. Em 1985, quando o Miss Universo ocorreu em Miami, a cantora jamaicana Grace Jones, 71, já chamava a atenção do mundo por esse visual tão exótico e berrante. Seus clipes a colocavam como uma espécie de pré-Lady Gaga negra, a ponto de mostrar seus pelos pubianos na capa da Playboy alemã. Grace tanto chocava que, como Prince (1958-2016), proibia a exibição de seus shows pela televisão (Stefani Joanne Angelina Germanotta só viria ao mundo em 28 de março de 1986, 22 anos antes de cantar no concurso).
No oposto de Jimmy Cliff, Bob Marley e Peter Tosh, Grace Jones não enveredou pela escola jamaicana do reggae. Preferiu o caminho da música pop. Na época em que os sucessos de Grace estouravam nas rádios, o concurso de Miss Universo, já em sua 34ª edição, padecia na obsolescência dos cabelos fartos de suas 79 candidatas. Para Grace, essa tendência jã não colava. Nem para ela, tampouco para os comentaristas de moda. Achavam o concurso então apresentado por Bob Barker na CBS coisa rastaquera, ultrapassada. Zozibini, nascida em 1993, iniciou na juventude um processo de libertação dos cabelos que ela julgava excedentes. O extremo que acontecera no Miss Universo foi a tanzaniana Flaviana Matata concorrer careca, na Cidade do México, em 2007. Tamanho exotismo a classificou entre as 10 semifinalistas.

Fotos Images Press/Getty Images/16.07.1985 e Miss Universe Organization/Divulgação

Os anarco punks e radicais que viram a turma que ia de Deborah Carthy-Deu a Márcia Gabrielle desfilar nas telas entre as 10 semifinalistas e esbanjarem as respectivas elegâncias pensavam coisa mais apocalíptica para o futuro dos concursos de misses. Na família do Miss Universo, uma negra já tinha sido eleita até então. No Miss Brasil, demoraria-se um ano para que tal coisa ocorresse. No Miss USA, cinco. Flaviana abriu caminhos para a entrada do “padrão Grace Jones” entre as negras no Miss Universo. A eleição de Zozibini como Miss Universo 2019 começou a solidificar esse novo padrão.

Images Press/Getty Images/15.07.1985

Images Press/Getty Images/15.07.1985

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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