Movimentação filipina para o Miss Universo 2020 contrasta com o silêncio sobre a participação brasileira, apesar dos estaduais


Em 2005, por exemplo, expectativa para o Miss Brasil era grande nesta época

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Angelica Garcia/GMA News
Shamcey Suspsup, na coletiva filipina: nos dê uma chance


A decisão de Stella Araneta, 82, de abandonar a concessão do Miss Universo para as Filipinas em 9 de dezembro do ano passado após 55 anos, abriu portas para que Shamcey Supsup-Lee, 33, quarta colocada na 60ª edição do concurso de Miss Universo, realizada em 12 de setembro de 2011, em São Paulo, assumisse de forma definitiva a franquia do concurso para o país, encerrando uma monarquia de 55 anos do Binibining Pilipinas. Desde a realização da 65ª edição do concurso de Miss Universo, em 30 de janeiro de 2017, em Pasay, as Filipinas lutavam para uma independência da etapa local do Miss Universo. A intransigência da Binibining Pilipinas em aceitar transgêneros no concurso pesou demais para a Miss Universe Organization.
Tal movimentação para que a franquia do Miss Universo nas Filipinas trocasse de mãos já vinha sendo ensaiada desde 2017, pouco depois do Miss Universo 2016. Chavit Singson entrou no jogo, mas foi carta fora do baralho. Após cortejar Catriona Gray na sua vitória no Miss Universo 2018, em Bangcoc, as digitais de Chavit entraram em ação novamente. Às portas do atrasadíssimo Binibining Pilipinas 2019 (atrasadíssimo em termos de valores morais e não de cronograma), Smancey começou a agir junto à MUO. Mexeu os pauzinhos junto com o estilista Jonas Giffud para a refundação do Miss Universo nas Filipinas. É esse o tipo de coisa que deve estar acontecendo com o Miss Brasil.
Mesmo com movimentação avançada em 12 Estados, inclusive os que já elegeram candidatas, a etapa brasileira do Miss Universo permanece sem um núcleo central definido. A filipina começou essa mudança logo após o Binibining do ano passado, realizado em junho. Na nova roupagem, o Miss Universo Filipinas vai acontecer no dia 3 de maio, na arena em que Iris Mittenaere encerrou uma seca de 63 anos sem títulos de Miss Universo para a França, a mais longa que vigorava até então. Que c’est triste Venise em um concurso de miss, parafraseando o poeta de la chanson française Charles Aznavour (1924-2018). Triste Bahia de Raíssa Santana, coberta na faixa do Paraná dos Animais Fantásticos de toga da Lava Jato, que habitam as programações da Globo e Globonews, travestidos de magistrados, procuradores, repórteres e analistas políticos, musicada em 1972 por Caetano Veloso a partir do poema de Gregório de Matos (1636-1696). Triste Bahia de Martha Vasconcellos, que dificilmente vai viver para uma nova vitória nossa.
Desde que comecei a acompanhar jornadas do Miss Brasil, aos poucos, ainda em 1984, era comum nesta época do ano os concursos estaduais estarem bastante avançados e planificados. Assim o foi até 1989, até virar a bagunça de 1990, que deu no que deu. De 1991 a 2003, prevaleceu a lei do silêncio imposta pela Globo, a mesma que quer tomar da Band as franquias do Miss Brasil e os direitos de TV aberta do Miss Universo. Em dezembro de 2004, já se falava nos estaduais do Miss Brasil 2005. E olha que tal intensidade só aumentou nos anos que se seguiram. A ponto de em 2018 termos um calendário já avançadíssimo para o Miss Brasil 2019. O que se tem contra a realização do Miss Brasil 2020? O discurso a la Goebbels do Roberto Alvim? A ideologia fundamentalista da pastora Damares Alves, travestida de ministra, inspirada nos aiatolás iranianos? A verborragia pornográfica de Olavo de Carvalho a uma repórter da revista The Atlantic? A mansidão de Romeu Zema nas desgraças de Brumadinho e Belo Horizonte, denotada em coletivas e na entrevista asquerosa dada à Central Globonews de ontem à noite? É em ambiente tão hostil assim, em tempos de enchentes nas terras natais de Gislaine Ferreira, Marisa Fully e Natália Guimarães (Belo Horizonte, a 1ª e a 3ª e Manhumirim, a 2ª) e cerveja artesanal contaminada, que Júlia Horta vai conseguir fazer a sua sucessora?

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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