Assunto da semana: Entre buzinas, roteiros, claquetes, edições


Chacrinha é tipo de filme que nem devia virar minissérie

“Quem não se comunica, se trumbica e como fica? Fica na saudade fica”.
(Samba de enredo da Império Serrano de 1987, que homenageava o personagem central da trama)

Rede Globo/Divulgação


Só no Brasil existe a ideia imbecil de se transformar filmes saídos de circuito comercial em minisséries, com o material usado nas filmagens e doses de material de arquivo de entrevistas. Chacrinha – A Minissérie, que a Globo concluiu na sexta-feira (17), é do tipo de coisa que por falta do que fazerem, reeditam, usam e fazem emendas para parecer documentário. Já vi isso em Elis e um pouco em Tim Maia. Desde que iniciou o programa das Séries Brasileiras, em 1982, embalada pela retomada do cinema brasileiro, a Globo não pensava em tamanha besteira.
Vamos ser bem claros: uma coisa é o material feito para circuito comercial, para ser comercializado nas locadoras de streaming. Outra coisa é material feito para televisão. Não sei qual foi a mente de jerico que autorizou tamanho absurdo. Com uma Globo de prejuízo de meio bilhão de reais, recorrer à edição a la Globo Repórter pode ter sido a saída mais apropriada, com emendas do filme do Andrucha Waddington aqui, outro material de acervo acolá. Resultou numa coisa maçante para um início de ano que terá Olimpíada e eleições para prefeitos.
Nem vou entrar nos méritos das interpretações do Stepan Nercessian (Velho Guerreiro) e do Eduardo Sterblitch (jovem Chacrinha), ex-comediante do Pânico. Vou deixá-los para quem faz crítica de cinema. A não ser que chamem a Solange Hernandes da polícia política do Sérgio Moro para mandar calar minha boca com creolina. Aí eu perco a paciência, mas não a ponto de quebrar espelho de camarim de emissora, como Chacrinha fizera após ter seu programa cortado na Globo, em 1972. Tudo por causa de uma macumbeira, não a Greta Thunberg ou a loira da GloboNews.
Em ternos de produto televisivo, Chacrinha, a minissérie editada como semi documentário, resultou numa coisa narrativa de cartório. Sterblitch encerrou a trama narrando o que o Jornal Nacional de 30 de junho de 1988 reportara sobre o velório de Abelardo Barbosa na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Resumo de um dia lúgubre para a história da comunicação no Brasil. Síntese de uma vida que começara numa chácara de Niterói, fazendo seu primeiro programa de rádio, na década de 1940. Gratos pela atenção, boa quarta-feira a todos.


Publicação simultânea com o Arte & Fest do Jornal Meio Norte desta quarta-feira (22/1)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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