Agora, a cobrança para realização do Miss Brasil 2020 começa


As olavetes que me perdoem, mas beleza é fundamental para fazer caixa na TV

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotos Luis Acosta/AFP/Getty Images/28.05.2007, Agência O Globo e Yasuyoshi Chiba/AFP/Getty Images/12.09.2011


Passados 42 dias da participação da mineira Júlia Horta. 25, na 68ª edição do concurso de Miss Universo, em Atlanta, a cobrança para que a 66ª edição do concurso de Miss Brasil ocorra em 2020 será enorme. Principalmente se levarmos em conta 27 coordenações estaduais e 456 coordenações municipais espalhadas pelo país. O Brasil de Martha Rocha, Ieda Vargas, Martha Vasconcellos e Natália Guimarães anseia pela eleição de sua representante na 69ª edição do concurso de Miss Universo, não importa a direção que tiver, seja a designada pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, seja a que a Miss Universe Organization indicar, no lugar da emissora paulista.
Em 17 anos nas mãos da Band, o Brasil teve 12 classificações no Miss Universo, o triplo das obtidas no período obscuro e sombrio do SBT, entre 1981 e 1989. De 2003 a 2011, a Band teve a companhia da Gaeta. De 2012 a 2015, tocou e afundou o barco da Enter, espécie de Geo da Band (Geo era a empresa de eventos do Grupo Globo, que teve vida curtíssima). A Polishop serviu apenas para fechar o caixão do sonho de miss. Rezou a missa de corpo presente de Fabiane Niclotti, miss Brasil de 2004. Achava que tinha um projeto ambicioso de título de Miss Universo quando, na verdade, queria fazer a quitanda da turma do João faturar às custas da dor alheia. Afundou a credibilidade do meio miss ao confundir concurso com comércio de convenção de empresa.
No período dos Diários Associados, foram 19 classificações no Miss Universo, incluindo nossos dois únicos títulos. A força da televisão tornou inócuas as transmissões de rádio e as capas da revista O Cruzeiro, que parou de circular em 1974. Com a quebra da Tupi, os concursos do ciclo de 1981 foram todos para o SBT. A rede que resultou da cisão da Associada, imposta pelo governo do general João Figueiredo (1918-1999), ficou apenas com a concessão do Miss Universo. As do Miss Mundo e Miss Beleza Internacional foram para outras mãos. A partir do Anhenbi, o Miss Brasil nunca mais seria o mesmo do Quitandinha, do Maracanãzinho e do Ginásio Nilson Nelson.
Das trevas da Ataliba Leonel, o Miss Brasil na década de 1990 acabou escamoteado a mando da Globo, que pagara US$ 15 milhões à CBS para varrer o Miss Universo dos lares, das mentes e dos corações brasileiros. Fez-se uma operação mediúnica de macumba e lavagem cerebral para esconder Patrícia Godói e Maria Carolina Otto, no calor das crises e escândalos que levaram ao impeachment de Collor de Mello. De Leila Schuster a Maria Joana Parizotto e de Michela Marchi a Juliana Borges, nenhuma Miss Brasil foi esquecida. O agravante veio em 1997, quando fizeram o Miss Brasil em Teresina. E se a Globo já tivesse os direitos? Faria o concurso com a capacidade técnica que já possuía?
A sombra de Nayla Micherif só seria descoberta em 2002, na Rede TV. A partir de 2003, a mineira de Ubá passou a ter livre trânsito para tocar o terror no Miss Brasil. Apresentava e dirigia o concurso nacional. Não metia o dedo nos concursos estaduais televisionados. O “terrorismo” de Nayla resultou nas classificações de Gislaine Ferreira e Rafaela Zanella entre as semifinalistas. No auge da corrupção cabralina, fez a farra dos guardanapos na Cidade do México para Natália encerrar uma seca de 26 anos sem classificações entre as cinco finalistas. Tinha livre trânsito junto a Donald Trump, mas tal influência pouco adiantava. Nayla tinha pela frente os escorpiões da Venezuela e de Porto Rico. Nayla fora Miss Brasil naquele evento de Teresina. Voltou de Miami Beach arrasada. Reergueu a vida fazendo curso de Turismologia. A desclassificação no Miss Universo 1997, primeiro da era Trump, até mesmo na produção, lhe deixou lições profundas. O próprio Trump teve de reinventar gradativamente os métodos de classificação no Miss Universo.
O segundo lugar de Natália Guimarães foi a consagração profissional de Nayla Micherif como coordenadora do Miss Brasil. A própria Band saiu no lucro. Fez o Miss Brasil 2008 no azul, carregado de anunciantes até no top de cinco segundos. As desclassificações de Natália Anderle a Débora Lyra inflamaram a raiva de milhões de missólogos. Algo estava errado no modus operandi do Miss Brasil da Gaeta/Band. A audiência começou a cair. Em mão totalmente oposta, a fila de anunciantes só aumentava. Haviam contratos de patrocínio de longo prazo que tinham de ser respeitados. A escolha de São Paulo para sediar o Miss Universo 2011 aumentou essa peregrinação. O Miss Brasil virou a meca dos grandes desfiles. Perdia apenas para as semanas de moda das grandes capitais de Estado.
Finda a fartura dos anos da Gaeta, da Enter e da Polishop, o Miss Brasil tenta reiniciar um novo caminho para a Band ter de volta os anunciantes que a etapa brasileira do Miss Universo um dia teve. Em tempos de recuperação econômica. seria mais sensato a Band parar com essa decisão ideológica de não fazer o Miss Brasil e tirar o olavismo contaminante, que ameaça nosso sonho de encerrar um jejum de 52 anos sem títulos. De nada adianta uma rede de televisão fazer o Miss Brasil e transmitir o Miss Universo  se esta se pautar pelas teorias mais absurdas e abomináveis da extrema direita. Beleza é fundamental, já disse Vinícius de Moraes (1913-1980). Alienação nazista de Wagner, orquestrada por um imbecil travestido de Secretário Especial da Cultura, não.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Força da Grana, Jóia da coroa, Nossas Venezuelas, Poderes ocultos, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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