Brasil termina os anos 2010 cobrando melhores resultados nos quatro principais concursos internacionais de beleza femimina


Classificação sem título não quer dizer nada

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Yui Mok/PA Images via Getty Images
A brasileira Elis Miele achava que estava com o pão na boca. Acabou perdendo no último instante a coroa de Miss Mundo 2019 para a jamaicana Toni-Ann Singh


A classificação da capixaba Elis Miele, 20, entre as cinco finalistas da 69ª edição do concurso de Miss Mundo, realizada no início da tarde deste sábado (14), no ExCel London, em Londres, acendeu um sinal claro de alerta às coordenações dos quatro principais concursos de beleza feminina no Brasil. Faltam propostas e sobram promessas e boas intenções que não resultam em nada. Vende-se ao mundo um engôdo travestido de mais bela representante da beleza brasileira. Fazem-se concursos a troco de nada.
O Brasil terminou os anos 2010 com nove classificações no Miss Universo, oito no Miss Mundo, seis no Miss Terra e cinco no Miss Beleza Internacional. Em termos percentuais, equivale a aproveitamentos de 90%, 80%, 60% e 40%, respectivamente. De nada adianta classificar uma candidata entre as cinco finalistas se esta não apresenta o conteúdo necessário a uma classificação entre as três finalistas (no caso do Miss Universo) ou ficar entre as três primeiras colocadas (caso específico do Miss Mundo). Era nesse último grupo em que Elis Miele, antecessora de Júlia Horta como Miss Minas Gerais em 2018, estava.
A insensibilidade do Concurso Nacional de Beleza no trato com a mídia tem turado atenção do Miss Mundo Brasil nos últimos três anos. Trata-se de uma situação altamente preocupante. Esse comportamento em nada lembra o que era adotado primeiro pelo SBT e depois pelas várias coordenações que antecederam Henrique Fontes, em 2006. Se fez um atraso para o país no Miss Mundo, afastando o país do concurso em 1988 e 1989. Tal como ocorreu no Miss Universo, foram duas e três classificações nos anos 1990 e 2000. Se de um lado a Gaeta “matou” o Brasil no Miss Mundo, Fontes o salvou. Falta a coroa.
Asfixiado financeiramente pelo Miss Brasil da Band desde 2006, o Miss Mundo Brasil do CNB tem vivido à duras penas. Em 2016, conseguiu um acordo de televisão com o Grupo Record. Tem recorrido desde então ao seu canal de YouTube para salvar a pele. Visualizações de transmissões não são nada diante de pontos de audiência. Essa é a lógica. Em tempos de patrocínio de concurso rival pela Natura, Grendene, Palmolive, o que o valha, o Miss Mundo Brasil tem melhorado nas cânforas, mas não na prática.
Ter um concurso de Miss Brasil transmitido na televisão, em plataforma de vídeo ou em rede social (caso do Miss Brasil Beleza Internacional) não quer dizer muita coisa. O país precisa reforçar sua cultura de misses tal qual fazem Colômbia, Estados Unidos, Filipinas, Índia, Jamaica, Porto Rico e Venezuela. Na década, esses países tiveram oito títulos nos dois principais concursos de beleza do mundo. O Brasil aumentará essa fila para 11 anos sem tútulos nos quatro principais concursos de beleza para a temporada de 2020. É coisa preocupante para uma pátria de Martha Rocha, polegadas a mais e mulatas bossa nova, de bombachas ou representando quilombolas na Serra da Barriga, em Alagoas.
Para os anos 2020, os desafios para o Brasil nos concursos do Big Four são enormes. Terá se uma década inteira para conseguir alguma coisa nesses certames. A de 2010 está toda perdida. Gastaram-se milhões em direitos de transmissão e organização do principal deles na festa da corrupção que está sendo destrinchada no combate à corrupção empenhado pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pelos MPs dos Estados. Asfixiaram se sonhos de misses em nome da ganância e do terror psicológico. Enganaram o mundo com candidatas despreparadas e incompetentes. Nossas misses estão numa rua sem saída.

AS CLASSIFICAÇÕES BRASILEIRAS NO BIG 4 POR DÉCADA
Referentes ao Miss Universo, Miss Mundo, Miss Beleza Internacional e Miss Terra
Anos Miss Universo Miss Mundo Miss Beleza Internacional Miss Terra
2010 9 8 5 6
2000 3 2 3 5
1990 2 2 5 *
1980 4 4 4 *
1970 6 6 4 *
1960 8 4 7 *
1950 6 1 * *
OS DESEMPENHOS BRASILEIROS NO BIG 4 POR DÉCADA (%)
Referentes ao Miss Universo, Miss Mundo, Miss Beleza Internacional e Miss Terra
Anos Miss Universo Miss Mundo Miss Beleza Internacional Miss Terra
2010 90 80 50 60
2000 30 30 30 62,5
1990 22,22 20 55,55 *
1980 40 40 40 *
1970 60 60 44,44 *
1960 80 40 77,77 *
1950 100 50 * *
OS TÍTULOS BRASILEIROS NO BIG 4 POR DÉCADA
Referentes ao Miss Universo, Miss Mundo, Miss Beleza Internacional e Miss Terra
Anos Miss Universo Miss Mundo Miss Beleza Internacional Miss Terra
2010 0 0 0 0
2000 0 0 0 2
1990 0 0 0 *
1980 0 0 0 *
1970 0 1 0 *
1960 2 0 1 *
1950 0 0 * *

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Força da Grana, Jóia da coroa, Nossas Venezuelas, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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