Sofrimento brasileiro no Miss Universo vai aumentar para 2020


País terá 52 anos sem títulos

Da redação TV em Análise

Paras Griffin/Getty Images/08.12.2019


A classificação da mineira Júlia Horta, 25, apenas entre as 20 semifinalistas da 68ª edição do concurso de Miss Universo, realizado no domingo (8), em Atlanta, expôs uma fragilidade na candidatura brasileira ao título de 2019: a pobreza de seu discurso. Desde que o Miss Universo passou a adotar o formato de recado inicial no ano passado, a presença brasileira nas fases de trajes de banho e trajes de gala tem se tornado impossível. Questões como direitos humanos são temas sensíveis à Endeavor, cujos controladores são contrários à causa palestina. Foi esse ponto que derrubou também a filipina Gazini Ganados, 23. Essa é outra história.
Nos anos anteriores à implantação do recado inicial como sistema de corte, o Brasil teve 36 classificações entre as semifinalistas. Se considerado apenas o período após o último título de Miss Universo, conquistado pela baiana Martha Vasconcellos, em 1968, foram 23 classificações. Desde o início dos sistemas de cortes, em 1990, o Brasil teve quatro classificações entre as 10 semifinalistas, quatro entre as cinco finalistas e nenhuma entre as três finalistas. Outras quatro pararam nos desfiles iniciais de traje de banho, levando em conta a inversão da ordem de desfiles tomada em 2006. Entre 2003 e 2005, se classificavam 15 semifinalistas para a prova de trajes de gala, reduzidas a 10 para trajes de banho. Antes disso, só houve cortes de candidatas para as seis finalistas nas perguntas temáticas e para três na pergunta final, entre 1990 e 2000. O Brasil não passou dessa fase nenhuma vez. Muito atacado por missólogos, o sistema de classificação encurtado em 1971 pela primeira vez em relação ao adotado na primeira participação brasileira, em 1954, quando 16 semifinalistas foram classificadas e esse número caiu para 12, depois para 10, em 1984 e daí até 2002, foi expandido a partir de 2003, para 15, até se chegar ao sistema continental, adotado em 2017, com 16 semifinalistas (quatro de cada região). A expansão desse sistema para 20 semifinalistas (cinco de cada região), a princípio, ajudou o Brasil, mas deve atrapalhar o país a partir do próximo ano, caso a nova coordenação nacional mande ao Miss Universo uma candidata despreparada, desqualificada, analfabeta em língua estrangeira e com ficha corrida.
Júlia Horta não faz o perfil preocupante que se traçava entre o escopo de candidatas cevadas nos concursos municipais, a maioria cheias de promessas que acabariam não sendo cumpridas se uma delas vencesse a mineira no Miss Brasil 2019. O grande problema para uma próxima vitória brasileira no Miss Universo, em 2020, está na falta de cultura de misses que o país possui, apesar de Estados como o Rio Grande do Sul serem referência. No país de Júlia Horta, existem 27 Venezuelas, a maioria camufladas de Nigéria, Malta ou Suíça em termos de desenvolvimento de títulos. A aberração de suas mazelas socioeducacionais, econômicas e culturais se expõe no analfabetismo funcional de certos coordenadores estaduais, principalmente na região Nordeste. Foi atacando esse tipo de problema que a coordenação do Piauí foi trocada em 2017, para atender à demanda da então patrocinadora do Miss Brasil. Assim se elegeu Monalysa Alcântara e assim se fez a última classificação importante no Miss Universo desde então.
O desafio para a sucessora de Júlia Horta vencer o Miss Universo 2020 será grande, a começar das peneiras que os concursos estaduais começaram a produzir, algumas com impurezas em suas coordenações. A falta de uma empresa que patrocine e fiscalize a qualidade dos certames será o primeiro grande empecilho. Na conta, o Miss Brasil vai passar a viver de caridades, como as adotadas pela Miss Universe Organization. A visita de Catriona Gray a São Paulo, no mês passado, serviu de biombo para o que ainda virá na próxima geração de coordenadores do Miss Brasil. O quinto lugar no quadro de jejuns de títulos é um convite a essa pensata. Os dados detalhados estão na tabela abaixo

OS 15 MAIORES JEJUNS DE TÍTULOS NO MISS UNIVERSO PARA 2020
O maior deles pertence ao Peru, que classificou Kelin Rivera no top 10
País Ano do último título Tempo de jejum (em anos)
Peru 1957 63
Alemanha 1961 59
Argentina 1962 58
Grécia 1964 56
Brasil 1968 52
Líbano 1971 49
Espanha 1974 46
Finlândia 1975 45
Israel 1976 44
Nova Zelândia 1983 37
Suécia 1984 36
Chile 1987 33
Tailândia 1988 32
Holanda 1989 31
Noruega 1990 30

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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