Assunto da semana: O animador de um concurso (?) de beleza


Os cinco anos de Steve Harvey à frente do Miss Universo

Paras Griffin/Getty Images/08.12.2019


Dá para fazer um balanço dos cinco primeiros anos de Steve Harvey na apresentação das edições do Miss Universo realizadas desde 2015? Dá sim. Na forma com a qual tem conduzido o certame, Harvey parecia estar em um clube de comédia. A escolha de um complexo de estúdios para sediar o concurso, para alguns, parecia ser a pá de cal num certame acostumado a ocorrer em centros de convenções e grandes teatros. Foi o resultado de um açodamento que misturou incompetência e moralismo islâmico da Península Arábica num mesmo caldo de esculhambação.
Desde o trolóló de Dubai, quase se colocou o Miss Universo 2019 na linha de tiro de um sniper do FBI. Por sorte, a FOX e a Telemundo agiram de emergência para impedir o escanteio muito tardio para março de 2020. Seria péssimo para candidatas, coordenadores, missólogos, fãs, familiares das candidatas, anunciantes e telespectadores. O fator televisão pesou bastante na hora de optar por fazer a disputa em Atlanta, numa programação mais corrida que o usual. A imprensa e as televisões saíram perdendo. As mídias sociais de candidatas, coordenações e fãs ferveram.
Entre discursos e retóricas, a 68ª edição do concurso de Miss Universo não salvou a brasileira Júlia Horta, 25, da faca das 10 semifinalistas para os desfiles de trajes de banho e trajes de gala. Neste último item, mexeu-se drasticamente no roteiro, não deixando as candidatas que ficaram fora entrar. A seletividade de temas às quais as sete juradas foram submetidas foi péssima para a mineira e para outras candidatas importantes. Classificaram-se carnes mais fracas. O Miss Universo 2019 acabou reduzido a um show de horrores, empastelado por sua precariedade.
No desfecho que levou à eleição da sul-africana Zozibini Tunzi, 26, prefiro deixar parte do discurso para a editoria de internacional. Em termos de concepção artística, Zinman repetiu o mesmo pacote, a mesma embalagem de biscoito de rodoviária, a mesma música já batida de Tiririca, Zezé di Camargo e Luciano, Daniela Mercury e Roberto Carlos. Por sorte, pegaram uma Fifth Harmony, Ally Brooke, para salvar a noite com repertório de Selena Quintanilla (1971-1995). Era o bálsamo que faltava para uma noite apática e mal contada. Bom final de semana a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (14/12)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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