Com a eleição de Zozibini Tunzi, África do Sul acerta a dívida no Miss Universo relativa ao apartheid que a afastou do concurso


Regime de segregação racial tirou o país da disputa entre 1985 e 1994

Da redação TV em Análise

Paras Griffin/Getty Images


A eleição de Zozibini Tunzi, 26, como Miss Universo 2019 no final da noite deste domingo, 8 de dezembro de 2019, serviu para a coordenação do concurso de Miss África do Sul acertar uma conta que já vinha desde o período do regime de segregação racial que afastou o país da disputa entre 1985 e 1994. Quando o país foi banido do concurso, já eram comuns os gritos de “Soltem Nelson Mandela!” em eventos como o Live Aid e concertos organizados por entidades de direitos humanos. Levariam se 18 anos após a trinitária Jannelle Commisiong para que outra negra, a norte-americana Chelsi Smith (1973-2018) vencesse o concurso.
A África negra de Zozibini sediou o Miss Universo uma única vez, em 13 de maio de 1995, em Windhoek, capital da Namíbia, ex-possessão da África do Sul. Foi lá que Chelsi foi eleita. Zozibini é a primeira negra da África do Sul a vencer o Miss Universo. Nasceu três anos após a libertação de Mandela, em 18 de setembro de 1993, em Tsolo (1.206 km a leste da Cidade do Cabo, 897 km ao sul de Pretória e 841 km ao sul de Joanesburgo).
O discurso a la Greta Thunberg saiu mais afiado que faca de cozinha. Pelo caminho que a levou à conquista do título, Zozibini eliminou adversárias previsíveis como a brasileira Júlia Horta, 25, a americana Cheslie Kryst, 28, a filipina Gazini Ganados, 23, e a tailandesa Paweensuda Drouin, 26, as duas últimas de torcidas mais histriônicas no Estídio 1 Oprah Winfrey do complexo Tyler Perry Studios, em Atlanda. Qualquer semelhança com a faca que Adélio Bispo enfiou em Bolsonaro na Juiz de Fora natal de Júlia há pouco mais de um ano, em plena campanha presidencial, é mera coincidência.
A eleição de Zozibini Tunzi como Miss Universo 2019 mostrou que ser rainha de mídia social não é sinônimo de vencer o título. Tal como Júlia Horta, a sul-africana tinha uma torcida pequena em Atlanta. Nada se comparada às hordas de filipinos, tailandeses e porto-riquenhos que invadiram a capital da Geórgia nos últimos 10 dias. Serviu também para dar um recado a Wendy Ftzwilliam, Mpule Kwelagobe e Leila Lopes, misses Universo de 1998, 1999 e 2011: a África do Sul que tanto sofreu com o apartheid pode ter sim uma Miss Universo negra. Basta perguntar a Margaret Gardiner e Demi-Leigh Nel-Peters.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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