Assunto da semana: Rações para a bancada bolsonarista urrar


É premiação de música feminina brasileira ou manifestação política?

Reproduções de TV via Twitter e Instagram


Em tempos de polarização ideológica, a edição do Women’s Music Event (WME) que o canal pago TNT transmitiu na noite da terça-feira (3) refletiu muito da contrição da classe artística brasileira com as políticas culturais do governo Bolsonaro, a começar da extinção do Ministério da Cultura, ainda na transição do ano passado. As sombras que Preta Gil, 45, previra e narrou num dos segmentos da premiação de música feminina se mostraram o oposto do que a GloboNews, por exemplo, narra dos eventos de Paraisópolis, no final de semana passado. PM no meio.
Criado no Brasil em 2017, em pleno governo Temer, o WME Awards tem se tornado uma dor de cabeça para a turma que vestiu camisa da Seleção nos protestos de 2015-2016, que culminaram no impeachment da então presidenta Dilma Rousseff. Da hora e meia que acompanhei, notou-se de cantora com boné do MST atacando ruralistas e evangélicos até músicas de tônica incompreensível, daquelas que irritam o presidente da Funarte, Dante Mantovani, que satanizou John Lennon, Angra, Black Sabbath, Ozzy Osbourne e outros roqueiros de fina cepa.
Podem achar que o WME Awards é coisa de marxista, leninista, maoista, etc. Mas não acho adequado irem para as mídias sociais e para a tribuna da Câmara dos Deputados atacarem cantoras pelo contexto de suas canções, por mais medíocres que sejam. Em tempos de tentar retomar propaganda partidária na TV aberta, não convém ideologizar o que a Mariana Aydar ou a Pitty cantam, nem mesmo receituário de farmácia de manipulação ou press-release do Planalto para fazer a comentarista paulista de economia da GloboNews de idiota e tonta. É um erro grave e crasso.
Na citação conjunta de uma das vencedoras a Bolsonaro, aos ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Justiça, Sérgio Moro, e a Mantovani, notou-se uma importante moral da história: “Vocês passarão, nós passarinho”. Trata-se do pio de um conjunto de cantoras e compositoras diante de reuniões secretas e negociatas nebulosas que envolvem distribuição de verbas federais de propaganda às redes abertas, desfavorecendo a Rede Globo e privilegiando Record e SBT, de acordo com dados obtidos pelo Tribunal de Contas da União. Bom final de semana a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (7/12)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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