Transição de Hazzy para Miss Brasil é mais lerda que se pensa


Investidores ainda não mostraram a cara

Da redação TV em Análise

Lenara Petenuzzo/Soup News/29.07.2019


Desde que começou a arregaçar as mangas para a nova estrutura do concurso de Miss Brasil, o produtor gaúcho Evandro Hazzy, 50, ainda não deu as caras de quem está por trás da reestruturação da etapa brasileira do concurso de Miss Universo. Não foi assim na Venezuela, em 1981, quando Osmel Sousa assumiu a coordenação da etapa local do Miss Universo e de outros dois concursos internacionais. Durante os 36 anos que coordenou o Miss Venezuela, o país teve 21 classificações seguidas no Miss Universo e levou cinco dos sete títulos do concurso internacional de beleza.
O que Hazzy tem tanto a esconder de quem pretende investir na recuperação daquele que já foi um dos mais importantes eventos de entretenimento do país? No quesito de televisão, a presença da Rede Bandeirantes é dada como certa para o novo ciclo, mas muitos missólogos veem com preocupação os rumos que o concurso nacional vai tomar após a participação da mineira Júlia Horta, 25, no Miss Universo 2018, a ser realizado daqui a nove dias, em Atlanta, independente do resultado que ela tiver.
Desde agosto, Hazzy tem acompanhado de perto a situação das coordenações estaduais que ficaram órfãs do dinheiro da Polishop. Elas tem batido à sua porta para pedir explicações. O mago gaúcho de Santa Maria pediu calma. Em outros tempos dentro da Band, marcas e corporações como Colgate, Coca-Cola, Unilever e Via Varejo transitaram pelo rol de patrocinadores do Miss Brasil. Era uma usina de faturamento, mesmo se a miss brasileira da ocasião obtivesse resultado desastroso no Miss Universo ou sequer se classificasse entre as semifinalistas. A grita depois das participações de Natália Anderle, em Nha Trang, Larissa Costa em Nassau e Débora Lyra em Las Vegas aumentou a ira de missólogos contra Hazzy, mas este colocou a culpa na Gaeta, que detinha a concessão.
A cobrança por melhores resultados no Miss Universo desde que São Paulo foi escolhida sede da 60ª edição do Miss Universo, realizada em 12 de setembro de 2011, acirrou os ânimos dentro da Band para uma revolta da vacina que pusesse a Gaeta e sua sócia, Nayla Micherif, para fora. Assim o foi feito em 25 de setembro, quando a Miss Universe Organization transferiu a concessão brasileira do Miss Universo para o Grupo Banfdeirantes de Comunicação, como principal legado da realização do concurso.
A organização direta do Miss Brasil pela Band de 2012 a 2015 gerou mais problemas do que sucessos. Coordenadores estaduais foram denunciados por corrupção e manipulação de resultados. Candidatas menores de idade chegaram a ser inscritas, ferindo um ítem do regulamento. A chegada da Polishop para o ciclo do Miss Brasil 2016 deu uma moralizada na família de concursos estaduais, havia muito sem qualquer assistência, mas houve um problema: em alguns Estados, a ajuda prometida não veio às coordenações municipais. O ciclo do Miss Brasil 2020 chegou a ser ameaçado, mas a pressão das mídias sociais, embora de forma discreta, parece surtir algum efeito. Só falta o dono da chave do cofre.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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