Assunto da semana: Um animador de multidões e de desgraças


A ética jornalística no adeus ao apresentador Gugu Liberato

Fotos Paulo Fridman/Corbis via Getty Images/15.05.1999


Sem 90% da cerimônia do American Music Awards no escopo, não restou a mim outra coisa a não ser tratar das gradações que se deram à cobertura da fatalidade que envolveu o apresentador Antônio Augusto Moraes Liberato, o Gugu. Se levarmos em conta apenas o SBT, emissora que o revelou, estaremos diante de um complexo de ignorância, de falta de memória, pior que a resultante da destruição do Museu Histórico Nacional da Quinta da Boa Vista, na zona norte do Rio de Janeiro, há pouco mais de um ano. Trata-se de um crime cultural hediondo.
Se for se guiar apenas pelo Fofocalizando, se verá um verdadeiro festival criminoso de ocultação de informações – exumação, liberação do corpo, repatriação, etc. Isso levando-se em conta o ambiente até às 15h51 da quarta-feira (27). Para os fãs mais xiitas da programação do SBT, pensa-se que Globo, Record e Bandeirantes fizeram a farra com seus animais cordiais em carapuças de jornalistas isentos – nada relacionado a um filme policial com o Murilo Benício. O que a Lívia Andrade, o Leão Lobo e o Picinini tinham a esconder? Por que se acovardaram na hora da dor?
Virando o disco para as revistas semanais de informação, Veja e Istoé deixaram suas capas de sexta-feira (22) livres para tratar de outros assuntos. O comunicado inicial da família de Gugu confirmando a internação em um centro médico de Orlando (Flórida) deixou as redações desses dois açougues em estado de recesso de fim de semana. Nem Willam Bonner, tampouco Adriana Araújo fizeram as semanais mudarem de ideia em relação à nova droga e Delfim Netto. Preferiram honrar os compromissos com os anunciantes do que ir ao desespero da última hora.
De legado em legado, Gugu sai de cena canonizado por uma mídia que, à exceção da Band, esqueceu sua controvérsias, da prova da banheira à falsa entrevista com suposto integrante do PCC do Marcola. A Record, por razões óbvias, não esqueceu da conversa que o apresentador teve em janeiro de 2015 com Suzane von Richtofen, condenada a 39 anos de cadeia pelas mortes violentas dos pais, Manfred e Marisia, em outubro de 2002. Coberturas como a do terremoto da Cidade do México, em setembro de 1985, passaram ao largo da solenidade da ignorância. Até sábado.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (30/11)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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