Band se cala sobre organização do Miss Brasil 2020 e coloca a sucessão de Júlia Horta em ponto preocupante de não retorno


Indefinição de Hazzy, Natália e cia. coloca missólogos em polvorosa

Da redação TV emk Análise

Rodrigo Trevisan/Band/MissBrasil/Divulgação/09.03.2019
A mineira Júlia Horta recebe o título de Miss Brasil da amazonense Mayra Dias


A indefinição da Band sobre como vai ser a forma, o continente e o conteúdo da 66ª edição do concurso de Miss Brasil e de seus concursos estaduais começa a causar um certo mal estar entre coordenadores de concursos de beleza e missólogos de todo país. A 22 dias da participação da mineira Júlia Horta, 25, na 68ª edição do concurso de Miss Universo, em Atlanta, a emissora não se manifestou sobre como vai proceder com os concursos de misses depois do fim da parceria com a Polishop, em julho. Desde então, seu ex-diretor regional no Rio Grande do Sul, Evandro Hazzy, 50, tem feito lobby junto ao comando central da Band, em São Paulo, para a inclusão dos concursos no planejamento da programação da emissora para 2020.
Hazzy tem conseguido alguns movimentos peristálticos, como o de levar pastas de argumentos para a sede do Morumbi lotadas de rascunhos de ideias, entre elas a da formação de um comitê de ex-misses, nos moldes do Miss Venezuela. Nomes como o da mineira Natália Guimarães, 34, segunda colocada no Miss Universo 2007, estão cotados para a estrutura empresarial inédita que o Miss Brasil deverá assumir, tal qual já acontece com o Miss Universo, pertencente à Miss Universe Organization, desde 2015, parte do grupo de entretenimento americano Endeavor, controlador de agências de representação de artistas e de modelos e de gerenciamento de direitos esportivos.
A trava para a Band avançar no novo projeto do Miss Brasil está justamente na questão da estrutura empresarial que deverá ser formada. Com que agência? Com que empresa? Uma das possibilidades aventadas é a de gestão por uma empresa de eventos nos mesmos moldes de um festival de rock como o Lollapalooza, transmitido pela Globo. Organizado no Brasil desde 2012, o evento é promovido pela Time4Fun, sob licença da Endeavor. Tem na Rede Globo sua principal parceira de mídia. Por se tratar de um evento de massas, o conceito do Lolla sofreria adaptações que a Endeavor sugeriria à empresa Águia (título provisório). Mesmo com a Band fora da transmissão, a possibilidade seria tocar o Miss Brasil 2020 de qualquer jeito, negociando com outra emissora. A MUO avalia a possibilidade de o concurso ir para a Globo, mas tal hipótese tem forte oposição de diretores da Band mais afinados com o Miss Universo e mais alinhados com a filosofia de fazer da emissora casa de grandes eventos, como Copas, Olimpíadas e basquete.
Em todos os lados, um ponto comum já é posto em prática: como Júlia Horta vai fazer suas sucessoras em Minas Gerais e no Brasil? Findo o contrato com a Polishop, as partes terão de dar uma forma de sequenciar o trabalho da mineira como Miss Brasil, mesmo que esta não vença o Miss Universo. Convidá-la para alguns concursos estaduais seria uma opção, mas nem mesmo a estrutura de licenciamento de coordenações estaduais foi formada pela turma de Hazzy e Natália. Existem arestas a serem aparadas.
A direção comercial da Band não funcionou no feriado desta sexta-feira (15). Ninguém da assessoria de imprensa da emissora foi encontrado para contestar as informações da matéria. A assessoria da Band informou ao Críticas que cabe ao Departamento Comercial decidir pela viabilidade do projeto de misses para 2020 em diante. A Band detém os direitos do Miss Brasil e do Miss Universo desde 2003 e de concursos estaduais desde 2004. No mesmo ano, a emissora exibiu uma etapa nacional do Miss Terra. Em 2003, exibiu o Miss Mundo depois de um hiato de 12 anos. Ambos os eventos foram gravados.

Para a Band, misses não são prioridade

Na nova formação de diretoria que passou a ter nas suas vice-presidências, a Band assumiu uma postura de oposição aos concursos de beleza. Isso, para uma ala minoritária, ligada ao presidente do Grupo Band, João Carlos Saad, 67, o Johnny. Essa formação passou a atingir direções regionais de emissoras que vinham promovendo etapas estaduais do Miss Brasil desde 2003, como a do Rio Grande do Sul. Johnny Saaad, a princípio, não quer se meter nas pendengas envolvendo a ala anti-miss e o grupo de Hazzy, que tem maior respaldo na área comercial da emissora aberta.
Desde 2004, a Band foi assumindo através de afiliadas as transmissões de outros concursos estaduais. O concurso do Rio de Janeiro teve passagem pela Band em 2005 e de 2012 a 2015. Em Minas Gerais, ficou de 2004 a 2014. No Pará, de 2004 a 2013. A aquisição mais recente ocorreu no Piauí, em 2017, quando assumiu as operações do concurso estadual. Com o fim da parceria com a Polishop e a proximidade da nova coordenação, a Band de Teresina espera uma orientação da matriz para como proceder.
As decisões de direitos esportivos envolvendo a NBA, liga americana de basquete, parecem ter pesado para que a Band tenha puxado um freio no projeto de misses. A emissora viu na NBA uma lucratividade que não era vista no Miss Brasil no período da Polishop. O novo modelo do Miss Brasil, proposto por Hazzy, deve privilegiar uma estrutura de comercialização independente, comandada por Patrícia Régia, que já começou a trabalhar. Os outros setores do concurso estão em fase de formação.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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