Assunto da semana: A aparência do bigode para o cavanhaque


Primeiras impressões de novo Magnum não convencem

CBS/Divulgação


Se enganou quem achava que a trama da nova versão de Magnum, P.I. (Universal TV, 5ª, 22h05, 14 anos) ficaria nessa coisa de Coreia do Norte e sua ditadurazinha de aparências nada mais para impressionar o Trump com um aperto de mão. Na embalagem, se apresentou um Thomas Magnum de barba por fazer, Jay Hernandez. Era tudo o que a CBS queria no upfront do ano passado: um Magnum barbeado, passeando pelas praias do Havaí em busca de ação e adrenalina tanta quanto no enredo original com Tom Selleck, agora em Blue Bloods, by Justin Lin.
Em termos, o que se apresentou ao público brasileiro de TV paga do novo Magnum foi basicamente mais do mesmo, para não dizer outras coisas. É a repetição do que a CBS já faz com MacGyver: trama de ação igual a bife: bate mais que ela fica mais macia para dar audiência, mesmo esta colocada nos Estados Unidos na horrenda noite de sexta-feira. Trata-se de uma embalagem de um produto que padece de convencimento, tem enredo pobre e requenta coisas da premissa de décadas atrás. Requenta até encher o saco do telespectador.
De novo, a nova versão de Magnum, P.I. não tem nada: repete a figura do agente particular de investigações que serve apenas para tampar o buraco de Havaí 5-0. É mero turismo para os olhos. Reprisa os clichês cults de outros tempos, sem se adequar ao presente. Chateia pela repetição de enredo. Quem tinha os 20 anos de Law & Order: Special Vitims Unit ainda frescos na pauta, não tinha a mínima paciência de escopar o que se colocar da pauta inicial do remake de Magnum. Preferiu passar o fim de semana se recompondo para tecer estas linhas.
Mesmo na reprise da quarta-feira (13), quando tive a oportunidade de ter até mesmo a musiquinha de abertura ao meu alcance, nada mudou a percepção que se denotou das linhas iniciais, a não ser pelo asfalto gasto da estrada em que se fizeram as cenas de ação, com dublês e tudo o mais. Nada mudou em relação ao Magnum de 1980 – da Ferrari 488 ao helicóptero colorido. A não ser um Thomas Magnum de cavanhaque. O que se fez foi preservar a premissa – investigador particular charmoso, enredo propagandístico e paraíso tropical ensolarado. Bom sábado a todos.


Puvlicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (16/11)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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