Herculano Silva acumula denúncias de corrupção no Miss Pará


Há quatro décadas, promotor de eventos se mancomuna com políticos para indicar candidatas municipais e manipular resultados

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Instagram/Herculano Silva


Desde 1979, o nome de Herculano Silva tem sido associado a algum sucesso do Pará no concurso de Miss Brasil. Seus créditos incluem o título nacional de 1982, conquistado por Celice Marques, e ter revelado uma jornalista da Record, Salcy Lima. Mas o que está por trás desse sucesso aparente é uma mancha enorme de escândalos e denúncias de aliciamento e prostituição, como a feita nesta segunda-feira (11) pela Miss Pará 2019, Wilma Paulino, que já renunciou ao título.
Em uma rede social, Wilma relatou ter sofrido ameaças de agressão da turma de Herculano, que alugou uma casa em Itaquera, zona leste de São Paulo, perto da Arena Corinthians, palco de jogos da Copa do Mundo de 2014, inclusive a abertura na qual a então presidenta Dilma Rousseff foi vaiada. A agora ex-miss Pará disse ter sido chamada de “puta” por um dos coordenadores do Miss Pará, ligado à organização brasileira do Miss Universo, representada pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação.
Wilma não é a única miss paraense que tem denúncias gravíssimas contra Herculano Silva. Outras ex-candidatas de concursos municipais e ex-candidatas municipais de edições anteriores do Miss Pará relataram o mesmo drama, que incluem acusações de racismo, xenofobia e misoginia. Assim que as denúncias vieram a público, o perfil do Miss Pará no Instagram, que podia ser visto por todos os internautas, se tornou privado, como uma forma de Gerculano e seu sócio, Kaiann Lobo, fugirem das responsabilidades.
Herculano tem se aproveitado da presença de candidatas de municípios paraenses de baixíssimo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) para explorar suas dores e seus sofrimentos. Tem se valido dos esquemas dos governantes de plantão, de Jader Barbalho (MDB) a Simão Jatene (PSDB) para tentar anhariar apoio de prefeitos e vereadores, todos comprados em troca de classificação de suas cidades no Miss Pará. A redação do TV em Análise Críticas não conseguiu retorno de ninguém da coordenação paraense, tampouco da direção da Rede Bandeirantes ou da Miss Universe Organization.
No entanto, Herculano anunciou em uma rede social que vai processar Wilma Paulino e o paí. “Não existe meia verdade”, disse o coordenador do Miss Pará. “É lamentável o que eu ouvi. Tive de parar para ouvir algumas vezes o que estava acontecendo. Não causei mal algum a essa moça. Estou convicto da minha verdade diante de Deus”, completou. Herculano acusou Wilma de usar o namorado para fazer as acusações à imprensa.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Corrupção nos concursos de beleza, Jóia da coroa, Nossas Venezuelas, Poderes ocultos, Podres poderes e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

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