Assunto da semana: O louro de Fleabag valeu o quanto pesou


As xepas a serem tiradas da 71ª edição do Primetime Emmy

Jeff Kravitz/FilmMagic/22.09.2019


O ciclo do 71º Primetime Emmy chegou ao fim, é hora das redes abertas, canais pagos e serviços de streaming trabalharem a temporada 2019-2020. A cerimônia derradeira de domingo, que colocou ponto final em dois finais de semana de expectativas numéricas, não foi suficiente para carimbar a temporada final de Game of Thrones como a grande campeã de estatuetas. Pode esquecer, inclusive o anão usado em telefilme do anão da Ilha da Fantasia. Peter Dinklage, 50, é mero detalhe em meio ao mar de estatuetas técnicas que a grande mídia escamoteou de propósito.
Não coube ao escritor de Nova Jersey George R.R. Martin, 71, e sim à atriz, roteirista e produtora inglesa Phoebe Waller-Bridge, 34, pegar aquilo que os anti-globais chamam de BV entre uma cerimônia e outra da mesma edição (BV é Bonificação por Volume, pagamento de bônus às agências proporcional ao investimento de seus clientes na compra de mídia). Sem dinheiro no meio, Waller-Bridge conquistou três das quatro estatuetas de Fleabag, que puxou as contas em relação à premiação técnica de macérrimas duas categorias para seis, com o BV de premiações do Emmy.
Teorias de mercado publicitário postas à mesa, a transmissão da 71ª edição do Primetime Emmy se comportou de uma maneira que os discursos tivessem um balanceamento, de forma a facilitar os trabalhos do diretor Hamish Hamilton, que deixou Kris Jenner e as filhas Khloé Kardashian e Kylie Jenner ficarem na mesa do caminhão de transmissão para acompanharem de uma ponta, Kim Kardashian, e de outra, Kendall Jenner, darem o prêmio de programa de competição ao do RuPaul. O dado a este de apresentador de reality já não era suficiente?
No método Hamilton de trabalho, balancearam-se os tempos dos discursos de aceitação dos atores Billy Porter (Pose, série dramática) e Michelle Williams (Fosse/Verdon, minissérie ou telefilme). Deram-se a estes tratamentos mais amplos do que quatro ou cinco roteiristas de séries A ou B, fosse em drama ou comédia. O comedimento dos discursos iniciais na disputa de audiência com uma partida do Sunday Night Football ditou a fabricação do invólucro que seria desenhado para as categorias finais. Porter e Williams acabaram sendo o miolo do pão. Bom sábado a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (28/9)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Coluna da Semana, Eventos, Premiações e marcado , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s