Assunto da semana: O dia que resta do Oscar do horário nobre


A panelinha fracassada das áreas técnicas do 71º Emmy

Invision/Associated Press/15.09.2019
A equipe de som de Chernobyl, ao receber a estatueta


A fatiação das categorias técnicas do 71º Primetime Emmy em dois dias, separando programas roteirizados dos especiais, documentários, especiais e séries de variedades apenas denota uma tendência da Academia de Televisão de não produzir uma gororoba escatológica dessa ou daquela terminologia, para atender a sindicato A ou associação B. De nada adianta cinematógrafos, editores de imagem, figurinistas, editores de som, mixadores de som e técnicos de efeitos visuais fazerem panelaço para quererem que uma coisa seja premiada no sábado e outra no domingo.
Por que a Academia opta por separar as áreas técnicas do Primetime Emmy por gênero de programação e não por panelinha de sindicato? Simples: documentários, especiais de variedades, séries de variedades e realities de qualquer gênero (inclusive os de competição) tem peso menor para a premiação principal do que séries dramáticas, séries cômicas, minisséries e telefilmes. É esse tipo de programação que carreia mais importância jornalística e midiática do que um documentário do finado Anthony Bourdain ou um especial ao vivo dos trabalhos do roteirista Norman Lear, 97.
Perigos das alturas do oscarizado Free Solo à parte, o fim de semana das áreas técnicas do Oscar do horário nobre da televisão norte-americana se pautou mais pela burocracia do que pelo acontecimento. Esse fica reservado ao tapete vermelho dos artistas de amanhã, no começo da noite. Sem grandes estrelas, as duas primeiras porções do 71º Primetime Emmy serviram como festa de firmas e puxa-saquismo. Em nada lembra o show a ser transmitido ao vivo para 94 países na noite do domingo (22) ou na manhã da segunda-feira (23), a depender do fuso horário de cada região.
Das 10 estatuetas que Game of Thrones já conquistou de bônus para a disputa principal, muito se deve aprender. De que as críticas a uma produção em sua última temporada em sua fase de submissões só a engrandeceram nos grupos sindicais de votação (ASC, ACE, CAS, MPSE, etc.). A mesma regra do jogo vale para a minissérie Chernobyl, apesar dos pesares de seu enredo, mesmo para quem pegou maratoninha de dois episódios na segunda-feira (16). De sete, pode se esperar até 13 estatuetas. Com Thrones, espera-se um desfecho de até 17 estatuetas. Bom sábado a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (21/9)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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