Assunto da semana: A drag queen que mudou as competições


Por que RuPaul tanto incomoda no 71º Emmy de programa de competição?

VH1/Divulgação


Aquela velha conversa de que The Amazing Race era dominante e The Voice ditava as regras do giuoco calcio nas disputas do Primetime Emmy de reality de competição, programa de competição ou tenha o nome que tiver já acabou. RuPaul Charles, 58, aquele cidadão que gravou Supermodel of the World há 27 anos, fez seu RuPaul’s Drag Race mudar os paradigmas do último território virgem das redes abertas no Oscar do horário nobre americano. Feito para canais pagos do grupo da MTV, Drag Race mudou a leitura a se tirar de programas de competição.
Ótimo. RuPaul faz mal às ideologias tortas de Donald Trump, certo? Faz é mal aos que ainda colocam no escopo a mentalidade que esta categoria era preponderante de competições de dança e de canto – ver Dancing with the Stars, American Idol. A acepção de seu programa incomoda os puristas que ainda restam, escorados por uma filosofia ultrapassada de comunicação de massa, de decretar feriado municipal para competidor de programa A ou B. RuPaul conhece os meios musicais tanto quanto o discreto produtor holandês do The Voice, John de Mol, 64.
Na caçapa, RuPaul’s Drag Race tem seu ciclo concorrendo com um programa mal visto do verão americano, o American Ninja Warrior. Espera aí! E não era para estar concorrendo o America’s Got Talent, da mesma NBC que o exibe? Convenhamos. Batalha de ninja japonês não é coisa que se coloque na premissa de ir ao Primetime Emmy. A coisa só se sustenta por dois fatores: público e atenção do júri especializado, ainda na fase das cédulas de indicação. É lá que reside a facada não bolsonarista nas 53 submissões para este ano só nesse segmento.
A propósito de unhas e drag queens, chama a atenção a entrada de um programa da Netflix chamado Nailed It!. Trata-se de uma batalha de manicures e aberrações, sem chegar ao Zé do Caixão. Torna a disputa mais imprevisível que final de campeonato asiático de pingue pongue olímpico. Dos seis indicados, poderia se esperar muita coisa, menos a repetição do óbvio desde que comecei a acompanhar o Primetime Emmy, em 2005. Da chatice de The Anazing Race, muita coisa mudou na mentalidade dos que votam no Emmy de programa de competição. Até sábado.

VH1/Divulgação


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (14/9)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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