Assunto da semana: A espelunca de nomes que você conhece


O peso das séries produzidas por atores no 71º Emmy de comédia

Amazon Prime Video/Divulgação


Cinco das sete indicadas ao 71º Primetime Emmy na categoria de melhor série cômica tem nas digitais a produção de atores: Bill Hader (Barry), Eugene Levy (Schitt’s Creek), Julia Louis-Dreyfus (Veep), Natasha Lyonne (Russian Doll) e Phoebe Waller-Bridge (Fleabag). Se for nessa lógica, complica ainda mais as chances de The Marvelous Mrs. Maisel levar sua segunda estatueta. Além de The Good Place, única concorrente de TV aberta, essa é a única produção que não leva as digitais de atores na sua produção. Esse é um ponto importante.
Das concorrentes, três (Barry, Schitt’s Creek e Veep) são de TV paga e outras três (Fleabag, The Marvelous Mrs. Maisel e Russian Doll) são de streaming. A Amazon domina esse terreno contra apenas uma produção da Netflix. No campo de TV paga, a HBO tem duas indicações contra a única (Schitt’s) do desconhecido canal Pop TV. A NBC tem Good Place para tentar pegar a demanda reprimida das redes abertas num Primetime Emmy exibido por redes abertas e somente elas (a deste ano será a FOX). Trata-se de um terreno altamente minado.
O pântano que come a presença das redes abertas no Primetime Emmy de série cômica é obra das mudanças que a premiação sofreu desde os anos 2000, quando passou a aceitar produções de canais pagos, que tinham até então seu “Emmy do B”. Dissidência apaziguada, redes e canais tiveram seu momento Zagallo em 2013, quando tiveram de engolir submissões massivas de serviços de streaming. O principal veneno para este ano vem da Amazon Prime Video, com a carrada de indicações para Marvelous Mrs. Maisel. Parece brincadeira, mas são 19 indicações.
Sem essa de preto velho do Chacrinha, o Emmy de série cômica de 2019 virou uma rachadinha de TV paga e streaming, com as redes abertas reduzidas à claque inevitável de 22 de setembro. A macumba que atordoa as grandes redes abertas americanas, algumas obrigadas a lançar serviços próprios de streaming como a CBS, denota uma situação de incômodo que começou em 1993, quando a HBO emplacou indicação para The Larry Sanders Show. Depois de hiatos em 2005 e 2011, a presença dos canais pagos e do streaming só cresceu. Bom sábado a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (10/8)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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