O Miss Universo procura interessados pela franquia brasileira para assegurar participação do país em 2020 e manter tradição


Endeavor/IMG cobra US$ 10 milhões por um contrato de cinco anos

Da redação TV em Análise

Lucas Ismael/Band/27.09.2014
Candidatas ao Miss Brasil 2014 caminham por uma praia de Fortaleza


A vacância da franquia brasileira do Miss Universo após a saída anunciada do Grupo Bandeirantes de Comunicação deve provocar uma corrida por sua concessão nas próximas semanas. A Endeavor Group esteve atenta aos movimentos da tratativa fracassada do conglomerado com a Polishop envolvendo naming right do Miss Brasil. Na prática, isso prende o Miss Universo à Band apenas na transmissão de TV aberta, mas libera as portas para que outra emissora e outro grupo assuma a promoção do concurso nacional e a concessão do Miss Universo para o Brasil entre 2020 e 2024.
Entre 1955 e 1980, a concessão do Miss Universo para o país foi dos Diários Associados. De 1981 a 1989, do SBT. Em 1990, o país não teve candidata, apesar dos esforços inúteis em quatro Estados – Bahia, Maranhão, Pernambuco e Sergipe – para a eleição de suas candidatas, Tentou se aclamar a segunda colocada do Miss Brasil 1989, a paulista Adriana Colin, para participar da 39ª edição do concutso de Miss Universo, realizada em 15 de abril de 1990, em Los Angeles, no extinto Shubert Theatre, mas o confisco das cadernetas de poupança do Plano Collor I feito no dia 16 de março “matou” o sonho de miss do início dos anos 1990. O jogou no lamaçal de um rodízio de coordenadores que vigorou de 1991 a 1999. Mais dia, menos dia, o Miss Brasil retornava à mídia em notas de revista. As transmissões do Miss Universo foram escondidas a mando da Globo, que pagou US$ 15 milhões à CBS para impedir os brasileiros de verem o concurso.
No ocaso do Miss Brasil e do Miss Universo na mídia brasileira, uma agência americana, a International Management Group (IMG) descobria jovens modelos como Alessandra Ambrósio e Gisele Bündchen, dentre outras. A febre das supermodelos brasileiras parecia dar sinal de que alguma coisa já era para ter sido feita na embalagem do Miss Brasil. O saudosismo inconsequente de Paulo Max não passava de idiotice. Tinha de se tomar alguma medida contra a chateação que ameaçava voltar. Deu um espasmo em 1996, na Rede Record. Trafegou por emissoras locais de Teresina, São Paulo e Rio de Janeiro. Em 1994, o Miss Brasil foi objeto de matéria do extinto Video Show da Globo. Em 1995, veio uma paulada de Glória Maria travestida de reportagem tendenciosa do Fantástico. Paulo Max deu um basta nas jogadas preconceituosas da famílglia Marinho e fez seu Miss Brasil ir para a Record. Já o Miss Universo seguia preso no SBT, a mando da Globo, numa orquestração de publicitários com políticos petistas presos pela Operação Lava Jato.
A mesma IMG de Bündchen, Ambrósio e cia., que compraria de Donald Trump no dia 14 de setembro de 2015 as propriedades da Miss Universe Organization por US$ 28 milhões, atua também nas áreas de esportes (sua origem), representação de artistas (vide Steve Harvey e Ashley Graham, das três últimas transmissões do Miss Universo) e palestrantes (a transsexual Caitlyn Jenner, ex-Bruce). A IMG começou representando o golfista Arnold Palmer (1929-2016). Fundada em 1960, em Cleveland (Ohio), a empresa se fundiu em 2013 com a William Morris Endeavor, formando as atuais bases do grupo. Em 23 de maio de 2019, a Endeavor passou a ter ações na NASDAQ, bolsa de valores de Nova York que abrange empresas de pequena ou média capitalizações. Em 2018, as vendas globais da dona do Miss Universo chegaram a US$ 3,61 bilhões (R$ 14,03 bilhões).
Segundo missólogos, a Endeavor cobra US$ 10 milhões (R$ 38,9 milhões) para o grupo que se dispuser a assumir a vaga da Band na coordenação brasileira do Miss Universo entre 2020 e 2024. Trata-se de um custo que somente grandes empresas devem assumir. Coordenadores estaduais, se necessário, devem se cotizar para assumir esse custo. Mas a situação se agrava à medida em que aumenta a diáspora para outras franquias. As coordenações do Rio Grande do Sul e de Sergipe anunciaram que passarão a trabalhar com concursos menores e de baixo custo, como o Miss Globo Internacional e o Miss Grande Internacional. As coordenações do Distrito Federal, Espírito Santo, Pará e Roraima foram as únicas que anunciaram manutenção na família do Miss Universo. Outras 19 coordenações ainda não decidiram o que fazer. Outro custo a ser assumido é a taxa de inscrição das candidatas, de US$ 180 mil (R$ 699.840,00, em valores atualizados).
Presente em 98,41% das 65 edições do Miss Universo realizadas desde sua estreia, em 1954, o Brasil tem tido uma assiduidade maior que a das Filipinas, que competiram em 63 das 65 edições do certame (96,92%) para as quais elegeu candidatas entre 1952 e 1957 e desde 1961. E até mesmo da Venezuela, que mandou candidatas para 65 das 67 edições já realizadas (97,01%). O país de Ieda Vargas e Martha Vasconcellos mandou 64 candidatas ao Miss Universo entre 1954 e 1989 e 1991 e 2018. Teve nelas seus dois únicos títulos conquistados (1963 e 1968), além de cinco segundos lugares, um terceiro lugar, dois quartos lugares e cinco quintos lugares, além de 22 semifinalistas. Entre os 34 países que levaram títulos de Miss Universo desde 1952, o Brasil tem o terceiro melhor aproveitamento (57,81%), atrás apenas dos Estados Unidos e da Venezuela. É de olho nessa assiduidade que a Endeavor quer o Brasil no Miss Universo 2020, seja como for.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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2 respostas para O Miss Universo procura interessados pela franquia brasileira para assegurar participação do país em 2020 e manter tradição

  1. JÁCÓ das misses disse:

    Acho estranho essa mercantilista gritante pois os Estados podem acabar com tudo se quiser.
    Burocracia demais para eleger uma Miss é olho gordo.
    Não é difícil eleger uma Miss. Basta união e um espirito de Paulo Max e Nicolau Netto que sabiam comandar e fazer belíssimos concursos com credibilidade.

  2. Pingback: Fim da transmissão de TV aberta do Miss Brasil para 2020 deixa consequências na cadeia econômica que fatura com concurso | TV em Análise Críticas

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