Próxima emissora de TV que assumir o Miss Brasil terá desafio de revitalizar o concurso e reconquistar sua audiência perdida


Ciclo de concursos estaduais já começou sem transmissão e situação deve se agravar

Da redação TV em Análise

Miss Sergipe Universo/Divulgação
Caroline Andrade, eleita Miss Sergipe 2020 na noite da quarta-feira (31), não sabe se estará no Miss Brasil 2020: concurso nacional está ameaçado caso Globo, Record ou SBT não se interessem


A temporada de concursos estaduais do Miss Brasil 2020 começou na quarta-feira (31) com uma dura missão às 27 coordenações que ficaram órfãs da parceria da Rede Bandeirantes e da Polishop, que sustentava o Projeto Miss desde 2016. Sem televisão, parte das coordenações deve recorrer às suas redes sociais para salvar as transmissões da maioria dos certames. Essa é a projeção de coordenadores que trabalhavam para o Miss Brasil dede a primeira fase da Band, ainda com a Gaeta Promoções e Eventos, entre 2004 e 2010. O concurso de Sergipe adotou esse modelo. À diferença do Miss USA, não haverá adoção de pay-per-view, que afastaria mais telespectadores, mas de outro lado geraria receita às coordenações para arcarem com as despesas junto à Miss Universe Organization. Esse é o modelo defendido pela empresária gaúcha Maria Fernanda Schiavo, 36, Miss Brasil Internacional 2000 e coordenadora do Miss Alagoas para que o Brasil marque presença no Miss Universo 2020.
Schiavo não apoia a iniciativa de alguns missólogos para fazer com que a Rede Globo assuma os direitos de transmissão do Miss Brasil já a partir do próximo ano. A maioria das coordenações estaduais do Miss Brasil se opõe à transmissão da etapa brasileira pela Vênus Platinada pelo fator econômico. Esses coordenadores defendem que o Miss Brasil, se continuar nas mãos da Band, seja inteiramente reestruturado e passado às mãos da Endeavor, empresa dona no Miss Universo desde 2015. Acontece que a Endeavor, braço da IMG, já é parceira da Globo na organização e transmissão do festival de rock Lollapalooza Brasil, organizado desde 2012 em São Paulo. E a IMG é dona do Ultimate Fighting Championship (UFC) desde 11 de julho de 2016. O UFC tem contratos de transmissão com o Grupo Globo desde 2002. O atual, que inclui apenas PPV (canal Combate) e lutas preliminares no SporTV, vai até 2022. Em maio, a Globo jogou a toalha em relação às exibições de lutas do UFC em TV aberta, que ocorriam desde 2011. A venda do UFC da Zuffa para a IMG, parceira da Band no Miss Universo, pesou nessa decisão.
Outro componente que impede a Globo de se aproximar da MUO é político. A emissora é a que mais faz oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), 64, e ataca políticos a ele alinhados como o prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella (PRB), 61. A “independência de governos” pregada em um editorial recente do grupo, de solidariedade à jornalista Miriam Leitão, 66, ofendida por Bolsonaro por sua participação em movimentos de esquerda na ditadura militar que governou o Brasil de duas misses Universo na década de 1970, incomoda parte desses coordenadores, mais interessada no toma lá da cá, para emplacar suas candidatas no Miss Brasil, se não quiserem recorrer às vaquinhas virtuais. É essa turma que recebe dinheiro de prefeituras para inflar os quadros de candidatas dos concursos estaduais. No Distrito Federal, as candidatas representam cada uma das 31 administrativas da capital da República, Brasília. Lá, o apoio vem das administrações regionais, se é que vem, e de políticos que as apadrinham.
O próximo concurso estadual do calendário, o de Santa Catarina, previsto para o sábado (24), em Balneário Camboriú (85 km ao norte de Florianópolis), também não terá transmissão televisiva. A expectativa é de que até concursos importantes como os do Rio Grande do Sul e São Paulo nem o sejam. A falta de patrocínio desses certames, considerados espinha dorsal do Brasil para ir ao Miss Universo, pode comprometer a participação do país no concurso de 2020. Situação essa que tende a se agravar caso a mineira Júlia Horta, 25, vença o título de Miss Universo 2019 no final do ano. A possibilidade de uma seletiva entre as candidatas de Sergipe, Goiás (a ser eleita em 21 de outubro) e Santa Catarina para definir a representante do país na 69ª edição do Miss Universo ganha força à medida que a novela pós-Band ganha novos contornos.
Seja qual for, a nova rede de TV que transmitir o Miss Brasil a partir de 2020 terá pela frente a dura tarefa de reestruturar o certame. Mais: terá de ter na retaguarda uma importante empresa de eventos do mesmo porte da Artplan do Rock in Rio, que tenha conhecimento na organização de eventos artísticos. É nesse custo (de direitos artísticos) que a Globo tenta mirar para dar a visibilidade e a exposição que o Miss Brasil tem perdido ao longo da última década. Com o poder de influência que tem, a Globo tentará recuperar o barranco de audiência que tanto o concurso nacional quanto o Miss Universo perderam ao longo dos últimos 16 anos. Record e SBT correm por fora. A Miss Universe Organization e a IMG querem uma solução imediata para o Miss Brasil a partir de 2020. O ciclo de concursos estaduais já começou e a grande mídia precisa se dar conta disso.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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