Decisão da NBC sobre data do Miss América 2020 reforça tese de remarcar seus concursos de misses para dias úteis por SNF


Já era assim na época do Miss Universo

Da redação TV em Análise

Alexander Nemenov/AFP Photo/09.11.2013


Desde que começou a exibir o Sunday Night Football 49 dias após a eleição da porto-riquenha Zueyka Rivera como Miss Universo 2006, a NBC tem zelado para que as edições do Miss Universo não se aproximassem dos calendários tanto de pré-temporada quanto de temporada regular da National Football League (NFL). O então coproprietário da Miss Universe Organization, Donald Trump, 72, seguiu essa liturgia até 2007. Em 2008, faltando 26 dias para a abertura dos Jogos Olímpicos de Verão de Pequim, Trump resolveu testar essa zona de conforto. Encostou o Miss Universo num vespeiro.
Em 2009, a 58ª edição do Miss Universo ocorreu num domingo, 23 de agosto. No ano seguinte, a NBC integraria o rodízio de transmissão do Primetime Emmy, marcado para o domingo, 29 de agosto. No anterior, a emissora faria uma transmissão de pré-temporada da NFL. Independente do confronto que houve para decidir a cidade-sede, NBC e Trump chegaram a um meio-termo e passaram o Miss Universo 2020 para a segunda-feira, 23 de agosto. Fazia-se a venezuelana Stefanía Fernández cumprir ano cheio de reinado.
A primeira provocação de Trump à NFL ocorreu no dia 12 de setembro de 2011. A 60ª edição do concurso de Miss Universo ocorreu em São Paulo e Trump deu uma de Tim Maia para não comparecer (Tim Maia [1942-1998] era aquele cantor brasileiro que costumava faltar aos shows que era contratado. Costumava dizer que sua gravadora, a Vitória Régia, era a única que pagava “depois das 21h e nos sábados, domingos e feriados”). Fez Johnny Saad, 67, presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação ser anunciado por duas vezes pela apresentadora Natalie Morales. Sofreu um solavanco de audiência no mercado americano para o Monday Night Football da ESPN.
2012 foi um ano decisivo para a vida do Miss Universo na NBC. Aquele seria um ano de Olimpíadas (em Londres) e de eleição presidencial. Já filiado ao Partido Republicano, Trump fez uma jogada política para afastar o Miss Universo do verão do hemisfério norte e movê-lo para as festas de fim-de-ano. Passou-se o concurso para uma quarta-feira, 19 de dezembro. A única aporrinhação era a primeira noite da final da segunda temporada da fracassada versão americana do The X-Factor, na FOX. Nem a eleição de Olivia Culpo em Las Vegas salvou a NBC de uma vice-liderança humilhante naquela noite. Ainda assim, recuperou o público que perdera com o Miss Universo 2011.
Nos anos em que transmitiu o Miss Universo, a NBC sempre foi zelosa para não marcar nenhuma edição do concurso realizada de 2007 a 2014 num domingo de Sunday Night Football. Esses anos de aprendizado com Trump e com a MUO se aplicam agora ao Miss América, que já integrou sua grade de programação de 1967 a 1977 e 1979 a 1997, antes da CBS e ABC assumirem os direitos em 1978 e de 1998 a 2005, respectivamente. Entre 2006 e 2007, passou para o canal pago de música country CMT. De 2008 a 2010, frequentou a grade do TLC, antes de voltar à TV aberta, na ABC, em 2011. Desse ano até 2013, o Miss América foi relativo ao ano em curso. Voltou a servir para o ano seguinte a partir de setembro de 2013 e vai ser assim também em 2019, para o ano de 2020. A 93ª edição do Miss América está marcada para a quinta-feira, 19 de dezembro, na Mohegan Sun Arena, em Uncasville (Connecticut). Embora tenha sido criado em 1921, o Miss América não foi realizado entre 1928 e 1932 e 1934, em função da Grande Depressão.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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