Televisão cria buraco de preparação das candidatas locais ao Miss Brasil e ameaça realização do concurso a partir de 2020


Saída da Band é duro golpe para coordenadores

Da redação TV em Análise

Miss Sergipe Oficial/Divulgação
Candidatas concluem ensaio de coreografia para o Miss Sergipe 2020: esforço que pode ter sido em vão


A retirada de apoio da Rede Bandeirantes ao concurso de Miss Brasil a partir do próximo ano, anunciada na quinta-feira (18), pegou de surpresa a comunidade missológica nacional, que já se preparava para os concursos estaduais da etapa brasileira do Miss Universo 2020, agora ameaçada de não acontecer, até mesmo com a retirada de patrocínio da Polishop. A franquia brasileira do Miss Universo está vaga e isso aumenta a preocupação com o que vai fazer a Miss Brasil 2019, Júlia Horta, 25, após sua participação na 68ª edição do Miss Universo, prevista para dezembro. E se vencer? Vai lidar com um buraco nos concursos estaduais?
Anualmente, a transmissão do Miss Brasil para o Miss Universo movimentava entre R$ 16 milhões e R$ 25 milhões. Em tempos mais áureos, chegava a movimentar R$ 51 milhões. Isso para contar apenas o período de 2003 a 2014, quando a Band esteve à frente do concurso. Após a chegada da Polishop, esse montante decresceu. Enquanto a empresa de varejo gastava R$ 35 milhões com o escopo de eventos do Miss Brasil nos Estados e no Distrito Federal, a Band perdia R$ 20 milhões com a falta de contrapartida da empresa para que a emissora pagasse suas obrigações junto à Miss Universe Organization. A transformação do Miss Brasil e de estaduais no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais em convenções de empresa causou desgaste à imagem do concurso, tida mais como caça níquel do que instrumento de empoderamento que pretendia ser.
O ciclo de estaduais do Miss Brasil 2020 vai começar na quarta-feira (31), em Sergipe, já sob o signo da incerteza. Incerteza essa que também deve afetar o Miss Santa Catarina 2020, marcado para o sábado, 24 de agosto, e o Miss Goiás 2020, previsto inicialmente para 21 de outubro. Quanto aos outros 24 concursos estaduais, só incerteza. Bahia, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Sul e São Paulo estão sem coordenações fixas desde que a Band anunciou a retirada de apoio à promoção do Miss Brasil. Preocupação essa que atinge tanto potências estabelecidas quanto emergentes, caso do Piauí de Monalysa Alcântara, vencedora do concurso de 2017. O modelo adotado no Miss Piauí da Band serviu de case de sucesso, mas esse legado foi para o lixo na hora da emissora tentar renegociar valores com a Polishop para um acordo que iria até 2024. Agora, o problema todo vai para as mãos da empresa de João Appolinário, que terá de iniciar a caça por uma nova emissora para aquele que já foi o principal concurso de beleza do país. Depois da retomada do Miss Brasil em 2002, nenhuma edição passou dos dois dígitos, fosse na breve passagem pela Rede TV!, fosse na década e meia que a Band teve de administrar.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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