Dívida bilionária inviabiliza transmissão e organização do Miss Brasil 2020 pela Band e Polishop tentará conversar com a MUO


Emissora deve R$ 1,2 bilhão a bancos e distribuidoras de conteúdo, entre elas a Endeavor, dona do Miss Universo

Da redação TV em Análise

Rodrigo Trevisan/Band/Miss Brasil/Divulgação/09.03.2019
Sem a Band, Polishop tentará ir atrás de outra rede para o Miss Brasil e Miss Universo


Está cada vez mais insustentável a situação da Rede Bandeirantes como emissora do concurso de Miss Brasil para a temporada de 2020. Dívidas acumuladas de R$ 1,2 bilhão com bancos e distribuidoras de conteúdo podem colocar a perder todo o Projeto Miss 2020, que inclui o Miss Brasil, Miss Universo e concursos estaduais. Entre as credoras da Band está a empresa norte-americana Endeavor Group, dona da Miss Universe Organization, que promove o Miss Universo.
Embora tenha vendido a propriedade comercial do Miss Brasil em 31 de outubro de 2015 à Polishop, a concessão do Miss Universo para o país é da Band, de acordo com os registros de coordenações nacionais da MUO. Antes de vender o Miss Brasil, a Band tinha renovado no final de setembro de 2015 os direitos de TV aberta do Miss Universo, bem como a sua concessão. Na prática, a Polishop ficou com dois terços do processo de preparação das candidatas brasileiras ao concurso a partir de 2016. A eleição de Marthina Brandt como Miss Brasil 2015 serviu para fazer o velório da Enter, empresa de eventos que a Band mantinha desde 2010 e acumulava sucessivos prejuízos. Criou um gigante de US$ 100 milhões que foi para o ralo com a organização de concursos de misses e de provas da IndyCar Series em São Paulo e a prova cancelada de Brasília.
Os prejuízos da Enter com a organização do Miss Brasil acabaram assumidos parcialmente pela Polishop, que gastou R$ 35 milhões para reestruturar os concursos estaduais, expandir as coordenações municipais e preparar as candidatas municipais para os estaduais, as estaduais para o Miss Brasil e a vencedora do Miss Brasil para o Miss Universo. Brandt entrou nesse bolo apesar de ter sido eleita Miss Rio Grande do Sul ainda pela Enter. Toda a estrutura de eventos da Band de Porto Alegre foi enviada para torcer por Marthina em Las Vegas, na tarde de 20 de dezembro de 2015. Marthina saiu de lá apenas entre as 15 semifinalistas, após assistir ao circo de horror de Steve Harvey.
Antes de organizar o Miss Universo 2011, a Band já tinha dívidas acumuladas com bancos. Teve parte das dívidas perdoada nos governos petistas de Lula e Dilma Rousseff, através de empréstimos da Caixa Econômica Federal. A caixa preta da organização da 60ª edição do concurso, realizada em 12 de setembro de 2011, no Citibank Hall, em São Paulo, jamais foi desvendada pela Polícia Federal ou pelo Ministério Público. Relatos da imprensa da época davam conta de que a Receita Federal vinha dificultando a liberação de material cenográfico no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, exatamente por conta das dívidas da Band, as quais Donald Trump, então proprietário do concurso, tratou de anistiar, em troca de favores. Um deles foi impedir a vitória da candidata da casa.
O “sonho de miss” da Band teve início em 2003, com a assinatura de um acordo com a Gaeta Promoções e Eventos para a transmissão do Miss Brasil. Por tabela, a emissora pegou os direitos do Miss Universo e do Miss Mundo (que já havia sido exibido em 1992). Em outubro de 2003, a emissora começa a assumir a transmissão de concursos estaduais, primeiro no Rio Grande do Sul. Nos anos seguintes, a Band mostrou disputas no Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Ao todo, a emissora mostrou 22 dos 27 concursos estaduais entre 2004 e 2019. Grandes anunciantes como Ambev, Colgate-Palmolive, Hypera e Coca-Cola do Brasil passaram pelo rol de patrocinadores, sem contar os apoios de quando o concurso era fora de São Paulo.
Nos governos de Rosinha Garotinho (PR) e Sérgio Cabral (MDB), presos por operações da PF de combate à corrupção nos anos 2010, a Band obteve favores para realizar o Miss Brasil no Rio de Janeiro entre 2005 e 2007. Neste último ano, um grupo de candidatas do Miss Brasil acusou fraude na eleição da mineira Natália Guimarães, que acabaria em segundo lugar no Miss Universo, realizado na Cidade do México. O apoio governamental também drenou a realização de edições do Miss Brasil em Belo Horizonte e Fortaleza, entre 2012 e 2014. A caixa preta dessas edições do concurso jamais foi aberta.
As cânforas da corrupção no Miss Brasil da Enter vieram à tona entre 2015 e 2017, com reportagens veiculadas pelo SBT que desnudaram fraudes de coordenadores estaduais. Antes, em 2014, o TV em Análise Críticas já denunciara esses malfeitos. Há casos de assédio sexual, corrupção de menores, compra de jurados, cooptação de políticos em troca de aclamações de candidatas municipais e até casos de racismo. A Polishop assumiu o Miss Brasil quando a situação da Enter já era insustentável. Agora com a saída da Band, caberá à empresa de varejo correr para a Miss Universe Organization para dar abrigo à candidatura da mineira Júlia Horta, 25, ao título de Miss Universo 2019. Mesmo que este passe pela Globo golpista, pelos fundamentalistas charlatães da Record ou, na melhor das hipóteses, pelas mãos do SBT de Sílvio Santos e sua amizade bolsonarista com milicianos.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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