No desespero, SBT tenta adular Miss Brasil 2019 Júlia Horta de toda forma, inclusive partindo para cima de evento já acertado


Meta é tirar Miss Universo, Miss Brasil e concursos estaduais da Band

Da redação TV em Análise

Case Assessoria/Divulgação/09.03.2019
Ensaio da emissora será nas negociações do concurso internacional com a Endeavor


Sem conseguir o intento de provocar irritação na Polishop, o dono do SBT, Sílvio Santos, 88, decidiu usar outra tática para pegar os direitos de transmissão do Miss Brasil, dos concursos estaduais (a partir de 2020) e do Miss Universo (já a partir deste ano). Para preservar as obrigações contratuais da Miss Brasil 2019, Júlia Horta, 25, com a empresa de varejo, Senor Abravanel ordenou que diretores de sua emissora continuem as tratativas com a Miss Universe Organization para pegar o pacote completo: Miss Brasil, Miss Universo e estaduais. A negociação passou a ter novo fôlego depois que a emissora desistiu das investidas de ter Júlia no departamento de jornalismo.
No frigir dos ovos, do eggs and bacon, o SBT planeja uma ação surda e silenciosa para afastar os concursos de misses de concorrentes como Globo e Record, que já sinalizaram algum interesse em disputar o contrato de TV aberta do Miss Universo para o país. É coisa de R$ 25 milhões ao longo de cinco anos de contrato, perto do que a Polishop gastou (R$ 35 milhões) com a organização do Miss Brasil, dos estaduais e de concursos municipais. Estima-se que, com as disputas locais, a conta gire em torno de R$ 45 milhões, contados os empregos diretos e indiretos e a movimentação econômica gerada pelos certames.
O que o SBT quer agora é mexer num item sensível da preparação de Júlia para o Miss Universo 2019, previsto para a manhã de 19 de dezembro, em Seul (noite de 18 de dezembro, pelo horário de Brasília). Esquece que o concurso já tem transmissão de TV aberta previamente acertada pela Band junto à Endeavor, dona do concurso. Em TV paga, a exibição será da TNT, também já assegurada. É no vespeiro da Band que o SBT quer mexer a todo custo, nem que seja com movimentos sutis de bastidores. A Band quer preservar o Miss Universo por uma questão econômica. Perdê-lo seria um golpe mortal para a ala de missólogos da emissora do Morumbi, reduzida a praticamente zero.
Noutra frente, o SBT tentará usar de todos os meios para explorar os concursos do Miss Brasil nas programações de suas 98 emissoras, localizadas em 25 Estados e no Distrito Federal. O grande problema é a falta de uma emissora em Sergipe, considerada vital para que qualquer rede interessada pegue o pacote do Miss Brasil e do Miss Universo. Apenas Globo e Record tem presença em todos os 26 Estados e isso é ponto a favor das redes concorrentes. O grande problema é que tanto a tevê da famíglia Marinho quanto a do líder da Igreja Universal, Edir Macedo, tem algum tipo de resiliência ao produto miss. A Globo já fez reportagens na década de 1990 atacando esse tipo de evento. A vantagem do SBT está no fato de a Band não ter emissoras em Alagoas e Sergipe, muito menos na capital de Tocantins, Palmas. É a atenção para esse mercado que desperta a atenção do SBT, mas Globo, Record e Polishop tem um ponto comum: tem presença nos 26 Estados e no Distrito Federal. A favor da Globo e da Record está a possibilidade de fazer transmissão para o canal internacional da emissora que levar, coisa que o SBT não tem.
A decisão, já confirmada, da Band de não transmitir os concursos estaduais e o Miss Brasil 2020 apenas atiça o interesse do SBT em pegar os direitos de 26 dos 27 concursos estaduais, através de suas emissoras. Globo e Record estão paradas. A Globo do Lollapalooza sequer moveu uma palha para fazer acordo com a Endeavor, Desprezou de momento a parceria que já conta com a dona do Miss Universo para o festival de rock de Interlagos. Menospreza a própria inteligência ao colocar o Miss Brasil, o Miss Universo e os estaduais nas coxas. Sabe que a Endeavor é hostil ao negociar direitos de eventos. Despreza o poder de influência que ainda exerce sobre a opinião pública ao tentar absorver para si uma paixão nacional do passado. Acha que concurso de miss é coisa de americano, porto-riquenho, colombiano e venezuelano para passar matéria no Fantástico.
Na balança, a Globo tem 122 emissoras contra 105 da Record. É esse ponto de influência que tentará levar para a Miss Universe Organization para pegar o Miss Brasil e o Miss Universo. Mas a Globo tem para si a obrigação de recomeçar o Projeto Miss da estaca zero. Idem em relação ao SBT e Record. A Band alega “contrato de longo prazo”, mas esse argumento morreu junto com a bossa nova de João Gilberto e a ferocidade de Paulo Henrique Amorim. Virou plot de reprise da Escolinha Muito Louca e do É Tudo Improviso. Usa um argumento mais batido que o Fusca que vai deixar de ser fabricado até no México.
Tenha o desenho que tiver, a sobrevivência do Miss Brasil, do Miss Universo e dos concursos estaduais na TV aberta virou questão econômica em plena era de redes sociais. Em algumas cidades, como Poços de Caldas (sul de Minas Gerais), fez-se a opção mais atrasada, a de tentar trazer o público para os certames. Não é dessa forma que se faz. Em potências como Tailândia, Indonésia, Venezuela e Estados Unidos, os concursos estaduais ou provinciais e municipais tem ampla divulgação. Esse é um dos erros do Miss Brasil. Afastar os concursos da televisão pode fazer o país amargar até 62 anos sem vencer o Miss Universo até 2030. Àquela altura, sabe se lá se Martha Vasconcellos estará entre nós.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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