O desespero da IstoÉ e da Rede Globo para salvar Sérgio Moro


Tudo por dinheiro

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotos Kevin Winter/Getty Images/22.02.2015, Reprodução/IstoÉ e Rede Globo/Divulgação


As revelações do site The Intercept Brasil sobre as cânforas de Telegram dos integrantes da Força-Tarefa da Operação Lava Jato corroeram definitivamente a credibilidade do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, 46, para permanecer no desgoverno do presidente Jair Bolsonaro, 64. As parcerias institucionais que o Intercept fez com o jornal Folha de S. Paulo e com a revista Veja expuseram as vísceras de um esquema de prostituição midiática, comandado pelo Palácio do Planalto, para comprar deputados e senadores na famigerada Deforma da Previdência, para assassinar pelo bolso aposentados, pensionistas, deficientes físicos, trabalhadores rurais, viúvas de militares, policiais federais, isso para não falar dos policiais civis e militares dos Estados e do Distrito Federal. Esses ficam para outras novelas, nas respectivas Assembleias.
O que chama atenção nessa lavagem cerebral travestida de batalha de comunicação do Planalto é o esforço da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) em agraciar certos veículos de comunicação com favores pornográficos travestidos de matérias pagas, camufladas em um jornalismo oficialista de escárnio. É o que tem feito a revista IstoÉ, da Editora Três, que nas últimas três semanas misturou propagandismo demagógico com desqualificação de investigação jornalística. A publicação tenta chamar de “comunista” a cineasta americana Laura Poitras, 55, que em 22 de fevereiro de 2015, fez o jornalista Glenn Greenwald, 52, fundador do Intercept, segurar o Oscar de melhor documentário por Citizenfour, produzido pela HBO, colocando-o como ganhador de mais uma premiação, fora o Pulitzer que já ganhara pelas matérias sobre o ex-agente da CIA, Edward Snowden, 36, que revelou podridões em governos. Desde 2013, Snowden está exilado na embaixada americana em Moscou, para não ser entregue ao FBI. Nem Obama, tampouco Trump se interessaram em ver Snowden atrás das grades.
As denúncias de Greenwald fizeram-no se mudar em definitivo para o Brasil, onde já era casado desde 2005 com o ativista David Miranda, 34, suplente do deputado reeleito Jean Wylys, 45, que abriu mão de seu quarto mandato por alegar estar recebendo ameaças do morte. Em 2016, no início das trevas emedebistas de Michel Temer, colocou no ar o The Intercept Brasil, para fustigar a vida de políticos de diversas tendências, inclusive petistas. Já elogiou o site O Antagonista, de Diogo Mainardi e Mário Sabino, por veicular as escutas ilegais de Moro entre a então presidenta Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, na tentativa fracassada de colocá-lo na Casa Civil. Com Moro e Bolsonaro, The Intercept Brasil e O Antagonista passaram a atuar em caminhos opostos.
Terror da tropa de choque de Temer e do Centrão de Bolsonaro, o The Intercept Brasil está no olho de uma investigação da Polícia Federal e do Coaf sobre o patrimônio financeiro de Greenwald no país. Prontamente, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) emitiram notas de solidariedade ao jornalista nascido no bairro nova-iorquino do Queens. Glenn saiu de um reduto de violência física para entrar em outro, o da violência psicológica de deputados bolsonaristas, sedentos por sua expulsão do país e sádicos em reimplantar a censura prévia, a qual nem Bolsonaro nem Moro se interessam em fazê-lo.
Em outra frente, a Rede Globo de Televisão, comunicadores puxa-saco como Luciana Gimenez e Ratinho e empresários bolsonaristas como Luciano Hang, dono da loja Havan, se esforçam no modo Simone Biles para salvar a imagem e o cargo de Moro investido por Bolsonaro. Praticam uma ginástica artística de desrespeito à cidadania e aos princípios mais elementares do jornalismo. A GloboNews faz uma de Kris Jenner de Moro. Usurpa a condição de gerenciadora de crise da Kim Kardashian para deturpar a realidade dos fatos, eviscerada pela Folha e pela Veja. Isso para não falar nos 39 kg de cocaína no avião reserva da FAB da comitiva de Bolsonaro ao G20 realizado recentemente em Osaca.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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