Para ter direitos do Miss Brasil e do Miss Universo, SBT tenta explorar as fragilidades da Band com a Operação Lava Jato


Johnny Saad admite que corrupção destruiu projeto de misses da emissora que é dono

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotos SBT/Divulgação e Renova Mídia
Johnny Saad reduziu o Miss Brasil a um Hervé da Ilha da Fantasia


Certo de que a Band teve um enorme rombo financeiro com a promoção e transmissão de 17 edições do Miss Brasil realizadas de 2003 a 2019 e a promoção e transmissão da 60ª edição do concurso de Miss Universo, em 12 de setembro de 2011, o dono do SBT, Sílvio Santos, 88, arma um movimento de bastidores para tirar os concursos do pacote do Miss Universo da emissora nanica de Johnny Saad, 67, que reduziu a audiência que o Miss Brasil, o Miss Universo e os concursos dos Estados tinham na década de 1980 a um anão da recém-encerrada telessérie Game of Thrones. Não o Peter Dinklage, ator americano, mas um anão metafórico fabricado a partir das medições da Kantar Ibope Media, empresa a qual Senor Abravanel (nome de batismo de Sílvio) tanto atacara.
Num fórum de empresários, banqueiros e políticos na sede da Band, transmitido pelo canal pago Band News na terça-feira (18), Saad confessou que a Operação Lava Jato, deflagrada em março de 2014 pela Polícia Federal do Paraná para investigar esquemas de corrupção na Petrobras, fez mal ao projeto de misses que a Band ambicionava àquela altura. Quando a primeira fase da operação botou na cadeia o doleiro Alberto Youssef, Fortaleza era a escolha natural da Miss Universe Organization para sediar o Miss Universo 2014, programado de início para o dia 12 de outubro, um domingo. A Band, então com a Enter-Entertainment Experience, queria aproveitar o clima pós-Copa e pré-Olimpíada para tentar vender o peixe de suas ambições fracassadas: um título de Miss Universo que nunca veio e um amplo calendário de concursos estaduais mais organizado.
O alarido de que Sílvio tenta colocar a Miss Brasil 2019, a mineira Júlia Horta, 25, como apresentadora de rodízio a la Andreia Sadi e Natuza Nery no Jornal Nacional nas folgas da imbecil da Rachel Sheherazade no principal telejornal do SBT apenas bota a gasolina e acende o isqueiro de um coquetel molotov bolsonarista para a emissora do Baú da Felicidade correr para os braços da empresa americana Endeavor, dona do Miss Universo. Só que, para o SBT assumir as chaves do Miss Brasil e do Miss Universo, a coisa tem de passar pela Polishop do também bolsonarista João Appolinário. É ela quem tem a exploração comercial do Miss Brasil e dos concursos estaduais e municipais. Saad tenta fazer o que pode para salvar o Miss Brasil e o Miss Universo, mas vários diretores da Band sinalizaram que é hora da emissora parar com essa aventura de fazer concurso de miss.
No entanto, Silvio passa por cima de itens do regulamento do Miss Brasil da Polishop, que exigem comprometimento da vencedora do concurso com a empresa de varejo. O SBT tem acordos publicitários com a Polishop para seus programas vespertinos. É nesse capital que a emissora está de olho. A Rede Globo também está atenta a essa movimentação. A emissora da famíglia Marinho tenta se valer da parceria que já possui com a Endeavor (para o Lollapalooza Brasil) e a IMG (para lutas de MMA do UFC) para acionar sua engrenagem de plantação de notícias como a de Júlia no SBT Brasil. É o primeiro mecanismo para que, no atacado, Júlia sirva à Fundação Criança Esperança. Não a do juiz Deltan Dallagnol, mas a da parceria da emissora com a Unesco e Unicef. A Globo quer que Júlia Horta e as futuras misses Brasil assumam missões outrora de Renato Aragão. Tenta fazer do concurso porta de entrada para as causas e caridades apoiadas pela emissora e pelas demais empresas do Grupo Globo, entre gravadora, jornais, rádios e portais.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Força da Grana, Globelezação, Jóia da coroa, Nossas Venezuelas, Poderes ocultos, Podres poderes e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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