Assunto da semana: Os nerds que não vão fazer falta alguma


O buraco que fica após o fim de The Big Bang Theory

Michael Yarish/CBS/Divulgação


Após a exibição da última ceia, fica a constatação de que nada vai ficar das piadas prontas dos nerds de The Big Bang Theory. Nada mesmo. Chuck Lorre terá de lidar agora com uma vacância violentíssima de ideias que devem desnortear o que deve pautar o pós dos atores que saíram da trama. De prêmio Nobel em prêmio Nobel, a síndrome de Estocolomo que se desenhou do título do último episódio parecia ter saído dos disparates antissemitas de Charlie Sheen contra Lorre, na sua época de Dois Homens e Meio, em 2010. A asneira deu lugar à diversão.
Sem a intenção de dramatizar, Lorre pautou o fim de The Big Bang Theory pela essência. Sem a intenção de abocanhar as derradeiras indicações ao Primetime Emmy, TBBT saiu do ar sem convencer. Fez humor óbvio, de apelo fácil, sem nenhum convencimento. Se prendeu aos clichês disso e daquilo outro. Se Penny (Kaley Cuoco) iria casar, se o indiano faria aquilo e um monte de estrambelhos que nem a cabeça do veterano Bob Newhart seria capaz de aguentar. Sem ofender a memória de Joãozinho Trinta, Lorre e sua equipe fizeram um ebalaô no epílogo.
Com enredo de massas, The Big Bang Theory foi feito para elas na área de comédia, assim como NCIS o é na área de drama. E assim tem se pautado nas premiações de escolha popular. Nas de sindicatos ou nos próprios Primertime Emmys, só Jim Parrsons tem servido de motor para algumas das acolhidas. O texto de Chuck Lorre e de seus sete assistentes para o desfecho é tão ruim que nem o jovem Sheldon que deu origem a spin-off seria capaz de entender. Nem a aeromoça do avião cenográfico teria percepção da falta do senso de ridículo desenhada.
Em tempos de Neymar e seus escândalos, as cânforas de The Big Bang Theory escancaradas nos textos de Lorre deram uma linguagem de novela das seis ou das sete recheada de baboseiras românticas. Esse enche linguiça amoroso de TBBT não vai fazer falta nenhuma. Sua embromação se associa à mais pura obviedade com a qual se construiu o principal êxito das estreias da conturbada temporada 2007-2008, assolada por uma greve de roteiristas que quase cancelou a 80ª edição do Oscar e prejudicou outros eventos de premiação do início de 2008. Até sábado.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte do sábado (8/6)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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