Assunto da semana: Entre as máscaras e talentos de audiência


A derrota dos novos programas roteirizados na temporada 2018-2019

Michael Parmelee/CBS/Divulgação


As leituras que se devem fazer das relações dos 50 programas mais vistos em quatro das cinco principais redes abertas americanas na 73ª temporada televisiva americana, encerrada na quarta-feira, 22 de maio, permitem dizer que os novos realities de competição colocados no ar por duas dessas redes – NBC e FOX – tiraram praticamente o foco que deveria ser dado às novas séries roteirizadas que as emissoras puseram às carradas. Entender que cantores mascarados tem mais importância do que The Voice, American Idol e outros é colocar sopa no mercado.
É mais fácil fazer o Donny Osmond cantar “olha o leite, olha o leite” na casa da minha sogra que ainda não encontrei do que achar piolho na testa do Jim Parsons em pleno fim de The Big Bang Theory. Não me vem ao caso falar às pencas de quedas de público que vários programas roteirizados tiveram, muito menos a ladeira dessas produções na média entre 18 e 49 anos. Para se inteirar, 29 dos 50 programas de maior média de público, de acordo com a Nielsen, perderam telespectadores. E 34 dos 50 programas perderam médias no público isca dos anunciantes.
É compreensível que certas análises apressadas estejam distorcidas, especialmente as de analfabetos de televisão, que estão contaminados pelo oligopólio das cinco grandes famílias que controlam o que o brasileiro deve ver, ler e se informar. Os críticos a serviço da Casa Grande esquecem que enredos como o de Manifest viraram papel de pastelaria cheio de gordura saturada de desinformação. Em tempos de psicose trumpista, uma lida nos números finais da temporada recém-concluída nos Estados Unidos permite um aclaramento das coisas para o próximo ciclo.
2019 nem está na metade e, na imprensa carroçável brasileira, há quem ainda pense como os Senhores do Engenho, serviçais do Deus Mercado Tom Brady. O raciocínio de azeitona que se estabeleceu para certos supostos “formadores” de opinião afunda a percepção sobre o que se passa na televisão de fora e restringe essas mentes a idiotices de novela das nove. Em tempos de The Masked Singer e America’s Got Talent: The Champions, FBI não é do ministrinho Sérgio Moro. E The Conners nada tem a ver com a Miss USA 2006 Tara Conner. Bom sábado a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (1º/6)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Coluna da Semana, Ibopes da vida, Numb3rs, Reality-shows, Séries e marcado , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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