Com dívida bilionária, Band deve devolver concessão brasileira do Miss Universo à IMG e não deverá realizar o Miss Brasil 2020


Emissora vinha representando o concurso no país desde 2012, embora o exibisse desde 2003

Da redação TV em Análise

Joe Klamar/AFP/19.12.2012
Após o quinto lugar de Gabriela Markus em 2012, a Band zerou a atenção para o Miss Universo


A era da Band nos concursos de beleza chegou ao fim. Com uma dívida de R$ 1,2 bilhão, a Rede Bandeirantes decidiu abrir mão dos direitos de representação da Miss Universe Organization no Brasil e desistiu de organizar o concurso de Miss Brasil já a partir do próximo ano. A decisão ainda não está inteiramente oficializada, mas já é dada como certa por setores da emissora, que anunciaram o encerramento das negociações com a Polishop para renovação do naming right do Miss Brasil, que acabaria em novembro de 2020. A medida atinge de imediato também os concursos estaduais.
Embora já transmitisse o Miss Brasil e o Miss Universo desde 2003, a Band só começou a promover o Miss Brasil a partir de 2012, menos de dois anos após a criação da Enter-Entertaiment Experience, empresa de eventos do grupo, que assumiu também a representação do Miss Universo para o Brasil. Mesmo com a Enter fechada em janeiro de 2016, a Band continuou representando o Miss Universo no país apesar de a organização do Miss Brasil já ter sido passada àquela altura para a Polishop, que agora tem um enorme abacaxi para descascar: informar os coordenadores de que a Band caiu fora.
Como os direitos de transmissão e a franquia do Miss Universo são cotados em dólar americano, a Band sai perdendo na conta da organização do Miss Brasil e dos concursos dos Estados e do Distrito Federal. A emissora não recebeu um único centavo dos R$ 35 milhões que a Polishop dissera ter investido no Projeto Miss desde 2016. Em troca, a Band praticamente zerou as coberturas jornalísticas do Miss Brasil e dos concursos locais, a exemplo do que já vinha fazendo no Miss Universo após 2012, quando a gaúcha Gabriela Markus ficou na quinta colocação. O rombo está na casa de R$ 20 milhões.
A Band deve devolver os direitos de representação do Miss Universo no Brasil para a Endeavor, braço de entretenimento da International Management Group (IMG), que o controla desde setembro de 2015. A emissora obteve esse direito na gestão de Donald Trump, após a realização do Miss Universo 2011, em São Paulo. No mercado, especula-se que a Rede Globo venha a assumir o pacote do Miss Universo e do Miss Brasil, devido à parceria já existente para organizar e transmitir o Lollapalooza Brasil, em São Paulo. O Lolla, como é conhecido, é propriedade também da Endeavor. A Globo também é parceira da IMG nas transmissões em TV aberta de alguns eventos de MMA do Ultimate Fifgting Champhionship (UFC), além da exclusividade em pay-per-view e TV fechada.
Não há informações de quanto a Band deva à Endeavor nas obrigações do Miss Universo. No entanto, esse custo tem sido coberto nos últimos cinco anos pela Polishop, que ten drenado a Band com parte do que investiu no Miss Brasil para viabilizar exatamente a exibição do Miss Universo em TV aberta. Até 2014, parte dos patrocinadores do Miss Brasil cobria os custos dos direitos de transmissão do Miss Universo pagos pela Band. Estima-se que a franquia brasileira do Miss Universo valha US$ 100 mil (R$ 404 mil). É com esse custo que a Band não quer mais arcar, em favor de eventos esportivos.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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