Assunto da semana: O maravilhoso mundo das fusões de mídia


A facada da Disney na repartição dos upfronts 2019-2020

Justin Lubin/NBC/Divulgação/17.03.2019
Bradley Whitford em Perfect Harmony, produto da salada da Fox com a Disney


Em quatro das cinco principais redes abertas americanas, as apresentações das grades da temporada 2019-2020 que foram do domingo (12) à terça-feira (14) refletiram os ecos da fusão bilionária entre a The Walt Disney Company e boa parte da 21st Century Fox, cuja consumação nos órgãos reguladores americanos já se deu com anuência dos acionistas. Onde antes havia a bandeira da Fox em séries da rede de televisão FOX, há agora a bandeira da Disney. A FOX aberta se reduziu ao penduricalho de proibições da FCC, a Anatel americana, para casos de redes de televisão.
O veto da FCC fez a FOX se reduzir ao esqueleto da rede montada por Rupert Murdoch em abril de 1987. Passa agora a receber do que os outros produzem. Fez uma divisão de entretenimento da New Fox para dar aparrência de que é coisa sua. Trocou seis por meia dúzia. Quem vê Last Man Standing, 9-1-1, dentre outras produções, logo vai acabar sentindo o peso dessa mudança. Mudança essa que trouxe junto os canais internacionais e penduricalhos para os canais FOX Sports. Mas essa é uma outra novela. Na ABC, teve clima de “hoje a festa é sua, a festa é nossa”.
Em menor escala, o efeito da fusão entre a Disney e os estúdios de televisão e as áreas de distribuição da Fox se sentiu em redes que não fossem ABC ou FOX. Na NBC, apenas uma produção, Perfect Harmony, leva a chancela da nova estrutura de distribuição, que pegou as propriedades da Fox em televisão. A garfada de US$ 62,4 bilhões demorou um ano para ser sentida em relação ao upfront do ano passado. Haviam amarras jurídicas no caminho, que foram sendo resolvidas. O problema da coisa está em propriedades de televisão fora dos Estados Unidos.
Mais profunda que o golpe que Adélio Bispo deu no então candidato do PSL, Jair Bolsonaro, na Juiz de Fora de uma Júlia Horta que ainda sonhava em ser Miss Brasil no dia 6 de setembro de 2018, a facada da fusão meia-boca entre a Disney e a Fox poupou a FOX, em letras capitais. Livrou o clã Murdoch de uma encrenca com a FCC, que já lhe renovou as concessões. Mas não impediu o estrago na área de entretenimento. Esse, não tem mais como corrigir. Salvou uma rede aberta de Beverly Hills, 90210 e American Idol do buraco de fusões. Bom sábado a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (18/5)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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