Assunto da semana: Minas, Geraes, Nova York, Estados Unidos


Minha cabeça mais pra lá de Juiz de Fora do que New Amsterdam

NBC/Divulgação


Em pleno necrotério das áreas de programação das redes abertas americanas para a temporada 2019-2020, saio da fila de cadáveres de decisões de programação para ver New Amsterdam (FOX Life, 4ª, 22h30, 14 anos) e Ryan Eggold de The Blacklist fazer papel de doutor. Não o da máfia de branco, porque soaria como uma ofensa aos fabricantes de alvejantes, detergentes, desinfetantes e saponáceos. No biscoito do terceiro e quarto episódios da primeira temporada, denoto alguma coisa ou menos de E.R.? E.R.? Deixa isso para os colombianos.
Enquanto a Júlia Horta tenta se acertar para o Miss Universo, com a pulga atrás da orelha em relação a data e país-sede, pego essa semana pós-Miss USA para colocar alguma coisa em dia de produção roteirizada. George Clooney? Clooney da Croácia, Goran Visnijic? Esquece. De segunda temporada já assegurada, New Amsterdam tem seu ponto forte não apenas na resposta de público, mas no rascunho de outras tentativas fracassadas de dramas médicos que a NBC fez na última década. Inclusive uma tal de Mercy, só com mulheres, em tempos de Jay Leno às 22h.
Tempos de vacas magras e de desinvestimento postos à parte, New Amsterdam retrata o Eggold que saiu de dramas de espionagem para a urbe nova-iorquina. Saíram as viagens internacionais repletas de dublês, entraram as cenas caóticas de pacientes de diferentes casos. Quando recebeu o projeto, saído do livro de memórias do médico Eric Manheimer, a NBC mudou o nome do projeto e do hospital da trama que foi logo ordenada. Saiu Bellevue, entrou New Amsterdam, para criar uma identidade mais fácil com o telespectador. Bellevue era palavrão.
Sem agredir a inteligência do assinante, New Amsterdam se pauta pela humanização da dramaturgia americana de horário nobre em plena era Trump de cortes de direitos, a começar do que encaram Obamacare como termo chulo e de baixo calão. Nem as finadas Dercy Gonçalves e Joan Rivers seriam capazes de chegarem a esse ponto. David Schulner neutraliza essas teorias de conspiração de disco de vinil, com lados A (republicano da FOX News) e B (democrata da CNN). As pontua com textos acentuados, sem descambar para a ideologização. Bom sábado a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (11/5)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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