Assunto da semana: Cenas de uma noite de 2 de maio em Reno


A adrenalina jornalística que sai do concurso Miss USA 2019

Jason Bean/Reno Gazette-Journal/USA Today Network/02.05.2019


Da balada de Nick Lachey pode se dizer tudo, menos que as 51 candidatas ao título de Miss USA 2019 estiveram sob pressão na competição tensa da noite da quinta-feira (2), num resort de Reno, no norte de Nevada. De duas horas de transmissão ao vivo pode se depreender tudo, menos entretenimento. Do início ao fim, da música de T-Pain ao último desfile de traje de gala, a etapa americana do Miss Universo 2019 guardou deste feriado uma poesia de encanto e tensão do lago Tahoe, com as montanhas da região ao fundo, inspiradas pela Estátua da Liberdade nova-iorquina.

Na transmissão que a FOX fez, não se esperava um salve se quem puder na hora que Vanessa Lachey, mulher de Nick, estivesse de posse do tenso resultado final. O título de Cheslie Kryst, da Carolina do Norte, virou peça de decoração diante da corrente de expectativas que se cercou de um concurso nacional de apenas 51 candidatas. Em nada lembra a complexidade do Miss Universo, que pega mais de 90 candidatas. Ali é outro ambiente. E mais diverso que o denotado no concurso americano. As cenas do próximo capítulo a gente prefere guardar para dezembro.

Jason Bean/Reno Gazette-Journal/USA Today Network/02.05.2019

Se a internet quebrou com os resultados das três finalistas, essa é uma outra história. O Miss USA de Reno saiu da piada pronta para a coisa séria. Deixou o enredo de série cômica e filme de comédia policial de humor negro para ganhar as teias do movimento #MeToo, da defesa do controle de armas que o ex-dono do concurso Donald Trump não quer, do panorama eleitoral de 2020 que por lá se avizinha, da coalhada racial e do direito de voto dos detentos calhados na etapa de perguntas temáticas. Foi um Miss USA mais politizado do que acabou se pensando.
Conciso nas suas duas horas de duração, o Miss USA 2019 conseguiu aparar o erro do ano passado em Shreveport, que apagou os nomes das integrantes do Comitê de Seleção. Chamaram duas ex-misses Universo, Denise Quiñones e Demi-Leigh Nel-Peters, para aparara a aresta de evitar um júri anacrônico, chocho, chapa branca e feminista de faculdade, do radicalismo mais piorado possível. Na essência, o show do Miss USA 2019 se traduziu numa direção bem condada (Gregg Gelfand American Idol), de modo a não prejudicá-la. E que venha o Miss Universo. Até sábado.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (4/5)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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