Para impedir avanço da Globo, Band tenta manter o Miss Brasil a partir de 2020 com parceria direta com dona do Miss Universo


Gestão da Polishop deve chegar ao fim

Da redação TV em Análise

Case Assessoria/Divulgação/09.03.2019


A Rede Bandeirantes já começa a se armar para impedir que a Rede Globo lhe tome a concessão do Miss Universo para o Brasil, bem como os direitos de transmissão do concurso de Miss Brasil. A partir de 2020, a emissora já começa a trabalhar a possibilidade de gestão direta da IMG Worldwide, controladora da Miss Universe Organization, na administração direta dos interesses do Miss Brasil.
Desde 2003, a Band tem gasto R$ 290 milhões com a produção do Miss Brasil e de seus 27 concursos estaduais. Em setembro de 2015, a MUO saiu das mãos do empresário Donald Trump, 72, e foi vendida por US$ 28 milhões à IMG, agora chamada de Endeavor para propósitos de entretenimento, como os do Miss Universo. A marca IMG ficou restrita à área esportiva, que engloba propriedades como UFC, Euroliga de Basquete, PBR, além de representar os interesses da National Football League (NFL). Trump vendeu o Miss Universo como condição para disputar a Presidência dos Estados Unidos em 2016.
Só para o Miss Brasil 2019, realizado no dia 9 de março, em São Paulo, a Polishop declarou ter gasto entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões na organização do concurso nacional e de seus 27 concursos estaduais. No entanto, com a entrada da IMG na direção do Miss Brasil, essa conta poderá ser maior. E é nessas contas que a Globo está de olho para tirar o Miss Brasil e o Miss Universo da Band já no ano que vem, ano de eleição municipal e também de Olimpíada. Os gastos não incluem campanhas de divulgação com a vencedora do concurso, a jornalista mineira Júlia Horta, 25, com vistas ao Miss Universo e ações sociais da Organização Miss Brasil promovidas com entidades parceiras da MUO.
Outro ponto que interessa à Globo para comprar os direitos do Miss Brasil e do Miss Universo é a audiência de ambos os concursos. No Painel Nacional de Televisão (PNT) da Kantar Ibope Media, raramente ela passa de 2,5 pontos. A intenção da Globo é criar uma “cultura de misses” na mídia brasileira. A emissora já está estudando casos de etapas nacionais do Miss Universo que dão audiência, como as da Colômbia, França, Filipinas, Porto Rico e Venezuela para tentar aplicar esses exemplos na televisão brasileira. O intento da Globo é incrementar a audiência do Miss Brasil e do Miss Universo com o capital de audiência que já afere com novelas, realities de competição, telejornais, programas jornalísticos, festivais como o Lollapalooza Brasil da IMG e jogos de futebol.
Com a chegada da IMG, a Polishop deve sair da gestão do Miss Brasil já a partir do ano que vem. Seu presidente, João Appolinário, 58, diz ter iniciado negociações para tentar manter a parceria com a Band, mas a emissora quer distância da Polishop na produção de edições futuras do Miss Brasil. Ao site F5, Appolinário disse não estar interessado em bancar a realização da 69ª edição do Miss Universo no país, em dezembro de 2020. As declarações foram interpretadas pela Band como um sinal de que está atrás da IMG para que esta assuma o Miss Brasil e os 27 concursos estaduais. Mas há um problema: no Brasil, a IMG tem apenas três escritórios, en São Paulo, no Rio e em Porto Alegre, todos para recrutamento de modelos. Com as misses nas mãos, a IMG terá de se virar para iniciar o credenciamento de coordenadores estaduais e municipais em todo o país, seja com o apoio da Band, seja com o apoio da Globo, que é o cenário mais provável.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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2 respostas para Para impedir avanço da Globo, Band tenta manter o Miss Brasil a partir de 2020 com parceria direta com dona do Miss Universo

  1. Achei as matérias sobre o Miss Brasil muito interessantes. Tenho duas perguntas. Se a Globo era interessada no Miss Brasil, pq eles não conseguiram comprar o MB? É a segunda é se ainda tem interesse por parte da Globo

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