Retorno da televisão fez o desempenho das brasileiras no Miss Universo melhorar nos anos 2000 e 2010 em relação aos 1990s


Exposição de mídia aumentou a partir de 2001

Da redação TV em Análise

Darrren Decker/AFP/Getty Imafes/27.04.2001
Juliana Borges durante evento do Miss Universo 2001, em Bayamón


O caso das 17 cirurgias plásticas da gaúcha Juliana Borges que a levaram a vencer o Miss Brasil 2001 fez com que a mídia voltasse a ter atenção para os concursos de beleza no início dos anos 2000. Na década anterior, as participações brasileiras no Miss Universo tiveram um aproveitamento pífio de 22,22%. O “efeito Juliana” e episódios subsequentes fizeram que o país voltasse a registrar classificação no Miss Universo em 2003. Em toda a década de 2000, o país teve três classificações, uma a mais que na década anterior, com aproveitamento de 30%.
O caso Juliana fez com que o Miss Brasil voltasse à televisão em 2002. No ano seguinte, ocorreu a primeira transmissão do Miss Universo para o Brasil depois de cinco anos, a primeira no mesmo dia de sua realização depois de 15 anos. Com Miss Brasil e Miss Universo na televisão, saíram ganhando os promotores de eventos, que passaram a ter franquias nos Estados e no Distrito Federal. Juliana deu lugar a Joseane Oliveira, que deu lugar a Taíza, que deu lugar a Gislaine Ferreira, como no poema de Drummond.
Desde 1989, o Miss Brasil e o Miss Universo estavam fora da agenda da mídia brasileira. A estada de Jose na casa do Big Brother Brasil 3 fez com que a Rede Bandeirantes assumisse os direitos de transmissão tanto do Miss Brasil quanto do Miss Universo, em 15 de março de 2003. Ter o Miss Brasil de volta na televisão significaria aumentar a exposição de mídia para além de uma reportagem do Fantástico, como ocorrera na eleição da mato-grossense Josiane Kruliskoski como a Miss Brasil 2000 da canção da Rita Lee. De cinco minutos, o Miss Brasil voltou à forma do especial de duas horas e meia, transmitido ao vivo para todo o país, revezando moda, beleza e artistas cantando várias tendências.
Em termos de audiência, o primeiro Miss Brasil da Band repetiu os números do último Miss Brasil do SBT na principal praça de medição da Kantar Ibope Media, única empresa a mensurar público televisivo no Brasil. Ter o Miss Brasil de volta à televisão significou colocar as vencedoras na berlinda do mercado publicitário, na mira das colunas de fofoca, nas ṕautas dos colunistas sociais que o mantiveram vivo na década de 1990. O efeito Gislaine demorou a ser sentido nas participações brasileiras no Miss Universo nos anos 2000. A Miss Brasil 2000 da canção da Rita Lee não se classificou em Nicósia. Juliana e Joseane, também não, em Bayamón e San Juan, porque não tinham televisão.
Os efeitos da exposição do Miss Brasil na televisão fizeram que o país tivesse classificações no Miss Universo também em 2006 e 2007. O vice-campeonato de Natália Guimarães na Cidade do México, em 28 de maio de 2007, deu ânimo para que o país iniciasse movimentos para sediar uma edição do certame. O processo levou três anos. São Paulo de tantas edições do Miss Brasil ficou com a sede da edição de 60 anos do Miss Universo, realizada em 12 de setembro de 2011. Era uma cidade pronta. Tinha um aeroporto internacional em obras para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Tinha uma casa de espetáculos no padrão requerido pela Miss Universe Organization.
O principal legado da realização do Miss Universo 2011 no Citibank Hall para o Brasil foram as oito classificações consecutivas que o país vem acumulando no concurso internacional, mesmo após a torcida contra a gaúcha Priscila Machado em sua casa. O Brasil se tornou a terceira maior potência de classificações no Miss Universo (37), atrás apenas dos Estados Unidos (62) e da Venezuela (43). Em termos de títulos, no entanto, o país está atrás também de Porto Rico (cinco), das Filipinas (quatro) e da Suécia (três). O Brasil está no mesmo patamar de títulos da África do Sul, Austrália, Canadá, Colômbia, Finlândia, França, Índia, Japão, México, Tailândia e Trinidad e Tobago, com dois cada. Desse grupo, o Brasil é o país com maior jejum de títulos, vigente desde 1968.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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