Assunto da semana: John Legend vira ‘Antônio Palocci do pop’


Sobreviver a R. Kelly vem com pancadaria já consumada

Lifetime/Reprodução


Se passaram dois meses da veiculação original do documentário Surviving R. Kelly (Sobreviver a R. Kelly) na Lifetime americana para a liberação para exibição internacional. O que a emissora do documentário tinha a esconder? Salvar a pele de R. Kelly, 52, de um boicote mundial à sua imagem e à sua música? Tal blindagem midiática se revestiu numa vã tentativa de descontaminar a imagem do cantor, já encrencada entre seus próprios pares, a começar de John Legend, 40, técnico do The Voice. A última parte de seu testemunho foi uma facada profunda.
Do mar de relatos escabrosos da conduta sexual de Robert Sylvester Kelly, o que mais se viu foi um oporunismo do movimento #MeToo de tirar uma casca de suas demonstrações de asneira para dar combustível a movimentos de direitos humanos, Anistia Internacional não inclusa. Isso não vem ao caso. Time’s Up, esquema bolsonarista de WhatsApp do Luciano Hang, tudo cabe nessa esculhambação de argumentos destinados, a princípio, para massacrar uma reputação construída em duas décadas de carreira, mas que perdeu espaço na indústria para outros nomes. A demanda caiu.
Dirigida por Dream Hampton, 48, a minissérie documental vasculhou o que podia e o que não podia entrar no âmbito de publicação de cultura do Jornal Meio Norte. Nenhuma. Aos leitores deste jornal. R. Kelly é apenas o cantor de uma música da animação Space Jam, nada além disso. A ignorância cultural de parcela do público que assistiu à maratona dos seis episódios no domingo (17) reduz as histórias das sobreviventes das caçadas sexuais do Robert Kelly a “ouvi dizer”, coluna de fofoca, coisa sem nenhuma importância. É o tipo de coisa que vai para a lata do lixo na redação.
Dos filtros editoriais, Sobreviver a R. Kelly conseguiu traçar um retrato até então obscurecido do cantor de R&B, rhythm and blues de uma submissão bolsonarista à CIA, à OCDE, ao F.B.I., ao desrespeito à soberania nacional. Desnudou a face obscura de um ídolo, expondo-o à execração de seus colegas do meio musical. Quando a Lifetime liberou a exibição internacional de Surviving R. Kelly, Brasil incluso, a imagem de R. Kelly já estava destruída nos Estados Unidos. Por lá, serviços de streaming e emissoras de rádio baniram as suas canções. Bom sábado a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste spabado (23/3)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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