Assunto da semana: A folia bolsonarista do desrespeito social


Carnaval na televisão é artigo em extinção

Getty Images


Até 1986, Teresina só tinha uma única emissora de televisão. Passaram-se os anos e a gama de canais aumentou. Mas da mesma forma, aumentou o desinteresse em acompanhar o Carnaval de rua pela televisão. O local só passa em duas emissoras. Em nível nacional, temos de aturar as baboseiras afins do eixo Rio-São Paulo-Salvador. Eps! Rio-São Paulo, porque é de lá que saem as decisões de pauta dos trios elétricos baianos. A mesma lavagem cerebral, a mesma ladainha, o mesmo cântico, o mesmo alalaô de horror, para não dizer que não falei nas bombas da Ludmilla.
Na TV paga, a GloboNews transformou o Rio de Janeiro numa grande Bagdá, cercada de terroristas e petralhadas por todos os lados. Na aberta, a Globo cortou a homenagem à vereadora do PSOL Marielle Franco na Marquês de Sapucaí para passar o Espelho da Morte do Escritório do Crime da turma do Flávio Bolsonaro. Seria uma réplica ao fundamentalismo na novela Jesus, da Rede Record e seus ataques endemasiados aos sem-terrinha? A pintura que o Grupo Globo fez do Carnaval de 2019 foi a de caos, inferno, molestações e trocas de acusações em redes sociais.
Noves fora as flores cultivadas pela Leilane Neubarth, o resto das coberturas de TV aberta – Band, Rede TV e SBT – se prendeu ao mais descarado bolsonarismo, retratando a idiotização de uma parcela da população brasileira. A que espanca mulheres em elevadores. A que usa das prerrogativas de seu mandato presidencial para ultrapassar os limites do decoro e da decência do mandato. A do desrespeito à ética pública, com apenas dois meses de Palácio do Planalto. Aliás, dona GloboNews, cadê as imagens do bloco do Pacotão de Brasília? O Queiroz as confiscou?
Entre farpas e insultos, a folia de 2019 não fabricou nada de novo além do golden shower. Os fazedores de hits da folia saíram de cena. Ivete Sangalo, Cláudia Leitte, Saullo e Daniela Mercury cansaram. Só servem para compor música de martelo de carne de boi: bate mais que fica mais macia. E não me venha a turma dos direitos humanos dizer que Olha a Cabeleira do Zezé é homofóbica, O teu Cabelo Não Nega Mulata é racista, dentre outras aberrações dignas da mais tosca retórica de best-seller que não vende livro e que ninguém lê. Bom sábado a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte que circula neste sábado (9/3)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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