Sílvio Santos usou o SBT para destruir o Miss Brasil de Marlene Brito entre 1991 e 1993 e afundar empresa de ex-coordenadora


Teve apoio de anunciantes do concurso que se recusaram a ir com ela para a Band

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Revista Municípios/05.1991/Álbum Patricia Godoi/Acervo FPMSC
Patrícia Godoi, primeira Miss Brasil solo de Marlene, com a futura atriz pornô Kelli McCarty


O SBT foi usado para destruir o projeto da ex-coordenadora do Miss Brasil, Marlene Brito, de formar uma empresa de promoção de concursos de beleza. A revelação é de um ex-executivo da emissora que pediu anonimato. Ao TV  em Análise Críticas, o ex-colaborador de Sílvio Santos disse que a emissora fez acordo secreto com a ABAP (Associação Brasileira das Agências de Propaganda), ABA (Associação Brasileira de Anunciantes), Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e ANER (Associação Nacional dos Editores de Revistas) para proibir patrocínios de toda espécie a Most of the Brazilian Beauty, empresa que Marlene formara após sua demissão do SBT, após o Plano Collor.
Em muitas afiliadas do SBT, havia o encosto de “desejar o pior” para a iniciativa de Marlene Brito no ramo de misses fora da emissora. A insatisfação com a criação da Most of Brazilian Beauty foi vista como uma espécie de vingança de Marlene por ter perdido seu emprego em meio aos impactos causados pelo Plano Collor I, anunciado em 16 de março de 1990. Marlene foi demitida do SBT em abril de 1990 e formou a Most of the Brazilian Beauty com o dinheiro que recebeu do FGTS e a indenização trabalhista. Em 22 de setembro de 1990, já promovia seu primeiro concurso, em Brasília, para eleger a representante do país no Miss Mundo 1990, realizado em Londres.
A irritação dos donos das emissoras do SBT só aumentou ao ser descoberto um plano de Marlene de fazer o Miss Brasil 1991 de qualquer jeito, em abril de 1991. Sílvio Santos avisara que não daria apoio algum do SBT ao concurso. O país fora golpeado por um segundo Plano Collor, ainda pior. Marlene queria fazer um ambiente de transição do Miss Brasil para a Rede Bandeirantes. Sílvio monitorava todos os passos da ex-funcionária, através de interlocutores, inclusive na Rede Globo. Usou Ferreira Netto, Leão Lobo e outros colunistas de televisão para plantar notas atacando a Most of Brazilian Beauty.
Macérrimo em número de candidatas, o Miss Brasil 1991 ocorreu no dia 27 de abril de 1991, na boate Gallery, em São Paulo. Nem com o então bicampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna (1960-1994) no júri. a etapa brasileira do Miss Universo 1991 engrenou. O concurso acabou amplamente boicotado pela mídia, a pedido da Globo, que tinha Senna como seu contratado. A Globo pediu exclusividade do Miss Brasil 1991, mas foi voto vencido: Marlene proibira a entrada de câmeras de televisão no local do certame. Apenas uma equipe da Rede Manchete foi autorizada a entrar. A revista também cobriu.
A Manchete dava ali seu canto de cisne nas coberturas do Miss Brasil. De 1992 até seu fechamento, em 2000, a revista cessou a cobertura de concursos de misses. No SBT, o Miss Brasil movimentava centenas de empregos indiretos, fosse em São Paulo ou nas cidades onde as candidatas faziam as externas de biquíni. Com Marlene Brito no voo solo, não chegou nem à metade. Uma tábua de salvação foi encontrada no Miss Mundo Brasil 1991, que a Band gravou no Olympia para veiculação em horário nobre. Chamou uma figura conhecida dos bailes de Carnaval, Monique Evans, para comentar ao lado de uma miss Brasil do Miss Universo da era SBT, Deise Nunes. Deu-se o posto de apresentador para Emílio Surita, que fazia programa vespertino de videoclipes na emissora.
As relações de Marlene Brito, do Miss Brasil, do Mioss Universo e do Miss Mundo com a Band tiveram uma pausa em 1992, com a priorização das coberturas dos escândalos políticos e das manifestações que levaram ao impeachment do então presidente Fernando Collor. A retomada final ocorreu em 12 de janeiro de 1993, quando, no restaurante Leopolldo, estava uma equipe do programa Flash, de Amaury Jr., para gravar a aclamação da gaúcha Leila Schuster para representar o país no Miss Universo 1993. Ao verem Schuster com o “rei da soja” Olacyr de Moraes, membros da Federação Brasileira de Colunistas Sociais (Febracos) se irritaram. Pediram à Miss Universe Inc. que tomasse de Marlene Brito a concessão do Miss Universo para o Brasil já a partir de 1994.
A Most of the Brazilian Beauty foi estrangulada pelo poderio econômico da tirma de Senor Abravanel e sua patrulha destruidora de desafetos econômicos saídos do SBT. Marlene Brito fez um gesto de traição à sua antiga emissora ao tentar garrotear o Miss Brasil válido pelo Miss Universo. A classe dos colunistas sociais era poderosa. Tinha fortes ligações com as cúpulas do Miss Universo, Miss Mundo e Miss Beleza Internacional. Usou seu poder de fogo para tentar levar o Miss Brasil para a Globo em 1994 e 1995. Na segunda vez, Paulo Max se irritou com uma matéria de Glória Maria no Fantástico que desmerecia a trajetória do concurso. O levou para a Rede Record, antes de morrer.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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