Assunto da semana: Não usai o santo nome de Deus em vão…


Novela Jesus é doutrinação ideológica da Record e do PSL

Blad Meneghel/Record TV/Divulgação


Em resposta à matéria escabrosa do Domingo Espetacular sobre os sem terrinhas, me cabe registrar que doutrinação ideológica mesmo é dessa irrelevante telenovela chamada Jesus (Record, 2ª a sábado, 20h45, 12 anos). Ali sim reside a mais pura lavagem cerebral enrustida em doutrinação ideológica de direita, usando em vão o nome do Filho de Deus, do Messias (não Jair Bolsonaro), do Divino (não o personagem do Chico Anysio), endossada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos da América e pelo PSL e sua fantástica fábrica de candidatos laranjas.
Desde seu início, em 24 de julho do ano passado, eu já desconfiava de alguma coisa de errado no enredo da novela de Paula Richard, lançada no embalo da cinebiografia do líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, 73, aiatolá supremo das decisões políticas brasileiras desde o golpe parlamentar que derrubou Dilma Rousseff, em 17 de abril de 2016. Enquanto novela, Jesus não é essa embalagem que a Record tenta vender nas feiras internacionais de televisão. É puro verniz ideológico do bolsonarismo mais sórdido e estúpido, dos “brasileiros de bem”.
Jesus estreou ainda no rastro da candidatura sub-júdice de Lula. Viu sua audiência afundar e trocar de mãos no seio ideológico de telespectadores bolsonaristas de direita, que bandearam para uma novela infantil do SBT, As Aventuras de Poliana (não a Abritta do Fantástico’. Deu querosene ao fanatismo religioso mais sórdido que contaminou uma campanha presidencial desde a redemocratização, há 34 anos. Com essa novela, a Record jogou o Brasil de volta às mãos dos militares, recolhidos aos quarteis desde 15 de março de 1985. Relegou a Globo ao papel de petista.
A contaminação ideológica presente na novela Jesus retrata bem a agenda de mídia do desgoverno Bolsonaro, que pensa que o Brasil é o Chile da Cecilia Bolocco, eleita Miss Universo em meio ao regime assassino de Augusto Pinochet. Capitalizar a Previdência Social é obrigar os aposentados a comprar uma Tele Sena ou coisa parecida. Seria o caso de mandar quem fez a reportagem dos sem-terrinhas mandar reescrever a novela bíblica para dar alguma audiência? Ou fechar o setor de dramaturgia da Record, tão contaminado pela doutrinação da fé? Até sábado.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (16/2)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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