O ataque sórdido do Domingo Espetacular, da Record, ao MST


Emissora de aiatolás da IURD usa concessão pública para criminalizar movimento social

Da redação TV em Análise

Joa Souza/Getty Images/01.03.2011


Na noite do domingo (10), o Domingo Espetacular da Rede Record ultrapassou todos os limites da liberdade de expressão ao veicular uma matéria eivada de ataques ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem_terra (MST). Usou “especialistas” para desqualificar a iniciativa do movimento da escola dos sem-terrinhas. Criminaliza v infância brasileira ao forçar-se a barra para praticar bolsonarismo explícito. Ainda não se sabe a cor do dinheiro que a Record receberá da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) no rateio das verbas publicitárias federais para as TVs.
Em uma matéria de 10 minutos e 43 segundos. a revista eletrônica da emissora do bispo Edir Macedo, 73, acusa o MST de “doutrinação” e cita uma suposta “revolta de internautas” com os vídeos produzidos pelo movimento social, fundado em janeiro de 1984. Mostra imagens de assentamento com o rosto do revolucionário Ernesto Che Guevara (1928-1967). Sataniza a revolução cubana. Usou ex-integrantes do MST para praicar seu jornalismo sórdido, piorado após a saída de Douglas Tavolaro, 42, para fundar a CNN Brasil ao lado do sócio da construtora MRV, Rubens Merin, 63.
Apresentada pela ex-global Helene Heringer, a matéria força a barra ao expor crianças ligadas ao MST para vinculá-las à agenda de ataques do presidente Jair Bolsonaro (PSL), 63, internado no Hospital Israelita Albert Einstein desde a segunda-feira, 28 de janeiro, para a retirada da bolsa de colostomia que carregava desde a facada que sofreu em 6 de setembro de 2018, durante a campanha presidencial, em Juiz de Fora. Após a veiculação da matéria, o MST emitiu a seguinte nota de repúdio. Veja a íntegra abaixo

MST repudia ataque da Record contra as Crianças Sem Terrinha

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra vem a público denunciar e repudiar a distorção de informações veiculadas na noite deste domingo (10) no Programa Domingo Espetacular. A reportagem “A Polêmica dos Sem Terrinha” tem como único objetivo manipular a opinião pública e fortalecer o processo de criminalização de organizações populares, que lutam pela defesa de seus direitos.
Em um país, em que o número de analfabetos supera a marca de 11 milhões de pessoas e que 1 a cada 5 crianças está fora da escola, nos surpreende que um Encontro Nacional de Crianças Sem Terrinha, onde foi discutido temas como os direitos das crianças e a produção de alimentação saudável, seja classificado como doutrinário.
Reafirmamos que o Encontro, realizado em parceria com a organização Aldeias Infantis SOS, uma das mais respeitadas entidades que trabalha com a infância no país, teve as autorizações dos órgãos responsáveis e respeitou todos os padrões de segurança exigidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Destacamos ainda, que todas as crianças tiveram autorização dos pais, conforme prevê a legislação, e além disso, todos os alvarás necessários foram emitidos pelos órgãos competentes, incluindo a Vara da Infância e Juventude.
A Rede Record, ao disseminar mentiras, não leva em consideração critérios mínimos de apuração e imparcialidade, faltando, entre outras questões, com a ética jornalística.
O Artigo 6º da Constituição Federal do Brasil prevê, dentre outras coisas, o direito à educação. Nesse sentido, o MST não só luta para que esse direito seja respeitado como também trabalha cotidianamente para que nos tornemos um país mais digno e, sobretudo, menos desigual. Temos uma longa trajetória de lutas pelo acesso à educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis para as crianças, jovens e adultos.
Em toda a nossa história, foram conquistadas mais de 2 mil escolas públicas, reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC), nos acampamentos e assentamentos em todo o país, que atendem a crianças, adolescentes e adultos. Milhares de camponesas e camponeses, organizados pelo MST, tiveram acesso a alfabetização e se formaram no ensino fundamental, médio, cursos técnicos e em nível superior. Há filhos e filhas de famílias assentadas em mais de cem turmas de cursos formais e mais de 4 mil professores foram formados, a partir das lutas pela educação pública, considerada pelo Movimento enquanto um direito básico.
Enfatizamos, que enquanto movimento de luta pela terra, pela reforma agrária e pela transformação da sociedade, continuaremos defendendo os direitos e a cidadania plena para todas as pessoas, em especial aquelas que vivem no campo.
Por isso, nós não só lutamos como fomentamos a educação no país e, diante de tudo isso, exigimos não só imediato direito de resposta, como desafiamos a mesma emissora a se propor a um jornalismo sério e de qualidade que preze pelos fatos e não interesses políticos.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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